Entidades e imprensa declaram apoio ao movimento

A Federasul orientou suas 224 filiadas para se integrarem ao movimento lançado pelo senador Pedro Simon de apoio às providências moralizadoras que estão sendo tomadas pela presidente Dilma Rousseff contra a corrupção. No documento, assinado pelo presidente José Paulo Cairoli, a Federasul defende que atitudes como a de afastar ministros envolvidos em suspeitas de corrupção são bandeira suprapartidária, que une líderes que devem apoiar a presidente na eliminação dos focos de corrupção no governo.
O apoio à limpeza geral
Zuenir Ventura – Jornalista

No lançamento da frente suprapartidária para apoiar a presidente Dilma no combate à corrupção, o senador Pedro Simon lembrou que o movimento das Diretas Já começou com meia dúzia de pessoas, mas depois ganhou o país. Para isso, no entanto, para mobilizar a população, foi necessário conquistar o que a nova frente ainda não tem: a adesão de entidades da sociedade civil como OAB, ABI, CNBB, sindicatos e, evidentemente, a UNE.
Seria uma boa oportunidade para o órgão máximo dos estudantes desmentir o que se diz dele, que após virar chapa-branca nunca mais abraçou uma causa nobre. Simon acha que a presidente não pode ceder à chantagem dos próprios aliados, enquanto Cristovam Buarque, outro dos nove integrantes do grupo, acredita que se lhe faltar no Congresso sustentação para a faxina será “a completa desmoralização”. Como se sabe, ela está sendo alvo de uma rebelião de sua base, formada por partidos que foram atingidos pela limpeza. Mais do que apoio, ela está precisando de socorro. Na contramão do mundo, os “rebeldes” aqui se rebelam não contra a corrupção, mas contra o combate a ela.
Ainda há pouco, houve um impressionante surto de indignação seletiva contra a publicação num jornal do Amapá das fotografias de seis presos na Operação Vaucher. Foram fotos 3×4 dos acusados segurando na altura do peito fichas de identificação, uma prática corriqueira nos presídios. A cena não era inédita. Desta vez, porém, como não se tratava de presos comuns, os protestos surgiram de todas as partes, a começar pela presidente, que classificou o episódio como “inaceitável”. O vice-presidente também. O ministro da Justiça considerou uma “ofensa à dignidade humana”.
Protestaram juízes, advogados, senadores, deputados. Tudo bem, foi um justo repúdio. Só se lamenta que protestos idênticos não se tenham feito ouvir contra outros abusos à dignidade humana, como a roubalheira de dinheiro público.
Nas últimas semanas, houve uma avalanche de denúncias envolvendo os Ministérios dos Transportes, da Agricultura e do Turismo, com a revelação de um estarrecedor repertório de irregularidades: fraudes em licitações, desvios de verba, superfaturamentos, cobrança de propinas etc. O Maranhão, por exemplo, se cumpridos todos os convênios, receberá do Ministério do Turismo, do maranhense Pedro Novais, cerca de 1.450% a mais de recursos que o Rio de Janeiro. Também foram destinados milhões para o Amapá, onde o número de presos por corrupção talvez seja maior do que o de turistas. Que vozes se levantaram contra esses e outros absurdos?
Por isso, o movimento dos senadores, transformando em ação a indignação, é bem-vindo, contanto que em troca do apoio exija da presidente a extensão da faxina, que deve ser geral e irrestrita. Não pode parar na porta do PMDB e do PT, por exemplo.
Simon propôs a patrulha da Viúva
Elio Gaspari – Jornalista

Há muito tempo não acontecia coisa tão boa no Congresso. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) propôs a criação de uma frente interpartidária de apoio a Dilma Rousseff para conter a chantagem que se arma contra o governo por conta de sua disposição de combater a ladroeira. Durante o governo de Itamar Franco, foi ele quem obteve o afastamento temporário do chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acusado de corrupção. Hargreaves deixou o cargo, as acusações mostraram-se infundadas e ele retornou ao Planalto, de cabeça erguida.
Aos 81 anos, com 53 de vida parlamentar, Simon já foi líder do governo, ministro e governador do Rio Grande do Sul. Simples e direto, jamais se incomodou com a fama de “maluco beleza” que o acompanha. Simon já viu de tudo, peixe em árvore e elefante voando. Por isso sua proposta, além de essencialmente boa, poderá ser revolucionária.
O fisiologismo não vai acabar, até porque sua principal fonte alimentadora é o governo. Também não vão acabar as maracutaias. O que Pedro Simon oferece é uma coligação destinada a impedir que o Congresso seja transformado num instrumento de chantagem. A banda podre da base do governo quer se rebelar em defesa da impunidade, mas não pretende botar a cara na vitrine. Planejam emboscar o governo em procedimentos rotineiros, votações surpreendentes ou ainda com alianças oportunistas. Não se trata de enfrentar o Planalto, como faz o Tea Party americano, que defende uma plataforma.
A proposta do senador, se resultar em ações práticas, permitirá a exposição da hipocrisia. Basta mostrar onde está o alçapão, pois sempre haverá deputados ou senadores dispostos a colocar cascas de banana no caminho das lideranças parlamentares ineptas do governo. Para combatê-los, a luz do sol será o melhor desinfetante. Mostrará a infiltração da turma dos convênios e das licitações fraudulentas na bancada do governo, inclusive na do PT. De quebra, inibirá a adesão do PSDB e do DEM a maiorias oportunistas.
Infelizmente, até mesmo na proposta de Simon existe um ingrediente tóxico: “Ela tem que dialogar mais”. Conversar, todo mundo precisa, inclusive Mano Menezes. Pode-se conversar com os deputados Valdemar Costa Neto, Eduardo Cunha ou com o cardeal Eugenio Sales. Há diálogos e diálogos. (Por falar nisso, seja qual for a ocasião, seja qual for a pessoa que governa o país, deveria conversar com D. Eugênio). Os parlamentares se fazem ouvir das tribunas do Congresso. Se ninguém dá atenção ao que dizem, o problema foi criado por eles.
O deslocamento do eixo das negociações do Legislativo com o Planalto para a discussão de verbas e nomeações criou uma situação na qual o Congresso perde quase sempre e a Viúva, sempre. Esses assuntos são secundários. Quem tem o quê para discutir no Planalto a respeito de educação, saúde ou segurança? Em oito meses de governo de Dilma Rousseff pouco se ouviu de relevante. A bem da verdade, noves fora as marquetagens, em relação a esses temas o Executivo disse pouco e fez menos. Por exemplo: durante a campanha eleitoral, a doutora Dilma prometeu “tomar iniciativas logo no início do mandato para regulamentar a emenda constitucional 29”, definindo a destinação de recursos para a saúde. Cadê?
EDITORIAL – Jornal O GLOBO 16/08/2011
O suprapartidário apoio à faxina

A limpeza feita no Ministério dos Transportes/Dnit atingiu o PR, um partido de segunda grandeza da base do governo. Com 40 deputados e sete senadores, mesmo que a legenda fosse para a oposição – jamais aconteceria, pois o político fisiológico vive da proximidade do poder -, a maioria do Planalto no Congresso seria mantida ainda com razoável gordura.
Mas, enquanto isso, transcorria um inquérito sob segredo de justiça em torno do Ministério do Turismo, onde frações do PMDB maranhense, uma sublegenda deste fundada no Amapá, e uma ramificação do PT paulistano traficavam emendas parlamentares com ONGs, a fim de desviar dinheiro público para desvãos privados. Diante da devassa executada nos Transportes, condição imprescindível para o governo Dilma Rousseff acelerar como deseja investimentos públicos em parte da depauperada infraestrutura do país, o ex-presidente Lula se disse preocupado com a “governabilidade”. Entenda-se: como ele assentou os dois mandatos sobre a fórmula fisiológica do toma lá dá cá, repetida na montagem do arco de apoio à candidatura Dilma, romper o método é, de acordo com esta visão da política, dar um salto no vazio.
A descoberta de transações desonestas no âmbito do Turismo, por meio de uma investigação executada por organismos de Estado – Polícia Federal, Justiça, Ministério Público – , colocou o governo Dilma numa área de fricção com o poderoso PMDB. Há críticas corretas do governo a desmandos policiais na detenção de funcionários da Pasta. Mas fez bem o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esclarecer que não tinha de saber com antecedência da operação, pois ela tramitava sob sigilo legal. E assim deve ocorrer sempre, com o Executivo sem cair na tentação de colocar o Estado a seu serviço.
Enquanto as ramificações do escândalo no Turismo se alastram – vide a rede de laranjas criada no esquema de desvio de verbas revelada pelo GLOBO -, uma das joias da coroa peemedebista no governo, o Ministério da Agricultura, entregue a Wagner Rossi, fica mais exposta.
Depois das denúncias do irmão de Romero Jucá (PMDB-RR) contra o ministro, surgem agora novas histórias desabonadoras, publicadas pela “Veja”. É visível a preocupação de Dilma Rousseff de preservar Rossi, em nome da tal “governabilidade”. Compreende-se, mas, com isso, ela corre o risco de perder de vez o governo para a fisiologia. Assim, ganha relevância o movimento suprapartidário a favor da faxina ética lançado ontem no Senado. Cristovam Buarque (PDT-DF) resume com propriedade o momento político: “Se falta apoio porque a presidente faz a faxina, é a desmoralização.”
Da tribuna, Pedro Simon (PMDB-RS) formalizou a conclamação de um apoio desinteressado à presidente, para que ela avance no combate aos malfeitos. Chegou a lembrar que o movimento das Diretas Já teve início com poucas pessoas, ainda no regime militar, mas terminou mobilizando todo o país. Além de dissidentes do PMDB, como o próprio Simon e Jarbas Vasconcelos, pronunciaram-se por este apoio suprapartidário parlamentares do PP, do PSOL e do PDT.
A oposição precisa decifrar a encruzilhada de Dilma e escolher o melhor caminho a tomar. E este é o do apoio à faxina. Da sociedade dita organizada não se deve esperar muito, devido à cooptação de sindicatos e entidades como a UNE pelo lulopetismo. Mas qualquer luta contra a corrupção vale a pena travar.

Comentários

  1. Avatar de HERMES CAVALHEIRO
    HERMES CAVALHEIRO

    ASSOCIAÇAO DOS TRABALHADORES RURAIS DO VALE DO RIO GUAPORE NO ESTADO DE RONDONIA, ESTAMOS JUNTOS POIS NAO DA MAIS PARA CONTITNUAR-MOS VENDO SOMENTE DEFAMAÇOES CONTRA OS MELHORES PRESIDENTE DA NOSSA NAÇAO BRASILEIRA.POIS NOS ESTAMOS CANSADOS DE REVER-MOS ESSA LADAINHA DOS CANDIDATOS SOMENTE LESAREM OS COFRES PUBLICOS E DEPOIS DIZEREM PARA NOS A VIDA TODA QUE E O PRESIDENTE DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.QUE NAO MANDARAM OS RECURSOS E ESSES IMENSOS DESVIUS DE MILHOES E MILHOES!!! .E MUITO POUCO.NOS SO AJUDAR-MOS E SIM TEMOS QUE DENUNCIAR-MOS ESSES INCAPAZES DE SEREM OS NOSSOS REPRESENTANTES DA NOSSA NAÇAO TAO LINDA QUE E O NOSSO PAIZ.BRASIL.CHEGA!!!! QUEREMOS DESTRIBUIÇOES DE TERRAS E RENDAS PARA NOS PRODUZIRMOS.POIS SENAO OS CORRUPTOS VAO ACABAR COM O NOSSO PAIZ.NOSSOMEUITO OBRIGADO E NOS DESCULPEM E QUE JA VAI PARA QUASE 31 ANOS DE PERSEGUIÇOES POR AS AUTORIDADES.CORRUPTAS DO NOSSO ESTADO DE RONDONIA.AQUI EM NOSSA BR-429 A BR CEM LEI.HERMES CAVALHEIRO-LINHA-51-KM-01-SERINGUEIRAS-BR-FANTASMAS.POIS DIZEM QUE AQUI E SOMENTE INDIOS E NAO TEM NEM UM.POIS SOMENTE BRANCOS.E NOS PROVAMOS JA ISSO PARA AS AUTORIDADES COMPETENTES EM BRASILIA-DF.

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