Higino Barros
Marcada por uma novidade – a ocupação de escolas por alunos – começou nessa segunda-feira, dia 16, a greve geral, por tempo indeterminado, dos professores da rede pública estadual do Rio Grande do Sul. A greve foi decretada em assembléia geral do Cpers/Sindicato, no último dia 13. Até o início da noite, há 19 escolas estaduais ocupadas no RS, segundo a página Ocupa Tudo RS, no facebook: em Porto Alegre, Passo Fundo, Pelotas e Rio Grande.
Nessa terça-feira, às 9 horas, o comando de greve do CPERS se reúne no Palácio Piratini com o secretário interino da Educação, Luis Antônio Alcoba de Freitas, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes e o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi.
Na pauta da reunião, as principais reivindicações dos professores em greve: o fim dos atrasos no pagamentos dos salários, a correção da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, que causa perdas salariais ao funcionários públicos, e a questão do reenquadramento salarial dos professores que recebem também por difícil acesso. Ao todo, a pauta de reivindicações inclui 14 itens, entre eles o reajuste imediato de 13,01% referente a 2015, e mais 11,36%, referente a este ano.
Ocupações de escolas se espalham pelo estado
A ocupação dos estabelecimentos de ensino estaduais começou na semana passada, com os alunos da Escola Emílio Massot. Outras escolas aderiram à iniciativa, com motivações semelhantes para o ato, a maioria em apoio ao movimento de paralisação do corpo docente e contra as más condições de infra estrutura dos estabelecimentos.
Mas a ocupação não foi consenso, já que na Escola Paula Soares, ao lado do Palácio Piratini, grande parte dos professores não aderiu a greve. Os alunos trancaram os portões, manifestando apoio aos grevistas e impediram a realização das aulas.
O governo estadual alega que as más condições financeiras não permitem o atendimento às reivindicações dos grevistas e diz que a adesão ao movimento é fraca no interior. O sindicato, no entanto, considera a paralisação expressiva e promete um balanço para esta terça-feira.
Governo ordenou corte do ponto dos grevistas
No mês passado, o sindicato entrou com uma ação de improbidade administrativa no Ministério Público contra o governador José Ivo Sartori. “ O governo estadual gasta dinheiro fazendo propaganda de suas realizações, mas alega não ter dinheiro para pagamento dos professores”, afirma a presidente do Cpers, Helenir Schuler.
O secretário titular da Educação, Vieira da Cunha, está de férias no exterior e há comentários de que teria pedido demissão do cargo, não aceita pelo governador Sartori. A greve segue por tempo indeterminado. O peemedebista já ordenou o corte do ponto do grevistas, mas pode rever a posição, desde que as aulas paralisadas sejam recuperadas.

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