Estudantes do Instituto lançam livro artesanal sobre a ocupação

Isabela Marcon tem 16 anos, escreve desde os dez e pretende se tornar escritora profissional. Seu objetivo é poder viver dos livros. Entretanto, Isabela esconde seus textos. Ela cursa o segundo ano do Ensino Médio do Instituto de Educação General Flores da Cunha. Aluna do IE há onze anos, Isabela conta que foi a primeira vez em que se sentiu à vontade para mostrar seus escritos para outras pessoas.
“Eu gosto de escrever, mas nunca tive apoio na escola. Tive que me descobrir por outros caminhos”, conta a jovem.

Isabela escreve desde os 10 anos, mas costumava esconder seus textos | Ramiro Furquim/Jornal Já
Isabela escreve desde os 10 anos, mas costumava esconder seus textos | Ramiro Furquim/Jornal Já

Os alunos do Instituto produziram um livro sobre os primeiros dias da ocupação. “Ocupar Educar” foi lançado no domingo, 29, durante o festival OcupaFest, organizado pelos alunos e que contou com diversas atrações no saguão da escola. O livro traz poemas e mensagens escritas pelos estudantes, além de colagens e fotos dos cartazes que foram espalhados pela escola.
O projeto é uma forma de registrar para a posteridade o momento que vivem hoje: desde o dia 18 de maio, um grupo de estudantes ocupa o Instituto, como ocorre em mais de 140 escolas estaduais no Rio Grande do Sul, segundo a página Ocupa Tudo RS, que reúne as informações das ocupações escolares gaúchas.
A ideia de produzir um registro impresso surgiu pela aproximação do escritor Elizeu Braga. Natural de Porto Velho, Rondônia, Elizeu veio a Porto Alegre para participar do FestiPoa Literária e acabou ficando mais alguns dias por aqui. Em sua cidade natal, ele é responsável pela Arigóca, ponto de cultura que direciona suas atividades no incentivo à leitura.
Elizeu foi quem sugeriu a ideia de um livro artesanal | Ramiro Furquim/Jornal Já
Elizeu foi quem sugeriu a ideia de um livro artesanal | Ramiro Furquim/Jornal Já

Elizeu se aproximou da ocupação, mostrou seu trabalho e ofereceu apoio. “Vim conhecer o movimento e ver que contribuição eu podia dar: contação de história, oficina de poesia… Quando mostrei o livro artesanal, a galera gostou e quis fazer um também”, conta o escritor, que tem dois livros de poemas lançados neste formato.
A partir daí, convocou o poeta gaúcho Nicolas Nardi e juntos passaram a realizar atividades diárias na escola, orientando os estudantes na produção do material. “Nós organizamos o conteúdo, imprimimos o miolo, fizemos as capas à mão e costuramos, para montar o livro”, explica Isabela.
Em uma primeira tiragem, foram produzidos cerca de 30 exemplares, que estão à venda por R$ 10 e podem ser adquiridos diretamente com os estudantes no Instituto de Educação. O objetivo é arrecadar dinheiro para imprimir outras tiragens e multiplicar o relato da experiência de ocupar uma escola.

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