O ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, apresentou o Projeto Brasil Nação na noite desta quinta-feira na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.
É uma proposta para retomar o desenvolvimento, que ele vem submetendo ao debate em todo o país.
Um público qualificado, que quase lotou o auditório Dante Barone, foi ouví-lo nesta quinta-feira: professores universitários, intelectuais, representantes do PT, PC do B, PDT e movimentos sociais ligados à esquerda.
Nas cadeiras, políticos do PT como Maria do Rosário e Miguel Rossetto ouviam atentamente a palestra. Na mesa estavam a jornalista Eleonora de Lucena, o economistra Pedro Cezar Dutra Fonseca, o cientista político Benedito Tadeu César, o economista Cláudio Accurso, representantes de movimentos sociais Berna Menezes (Frente Povo Sem Medo), Vitalina Gonçalves (Frente Brasil Popular), Davi Almansa (UNE) e Emil Silva (Movimento Negro) .
O movimento de centro-esquerda, encabeçado pelo economista e apoiado por intelectuais de diferentes correntes, quer propor alternativas à atual crise econômica e política vivida pelo país.
“O grupo nasceu dessa preocupação com o país, não só com a grande crise política e moral dos últimos quatro anos”, diz ele.
Segundo Bresser, o país está estagnado e perdeu a ideia de nação e parou de crescer desde o final dos anos 80.
“O Brasil entre as décadas de 1930 e 1990 teve um regime desenvolvimentista” ressaltou. Desde então, segundo ele, devido a crise da dívida externa e a rendição ao capital estrangeiro, o crescimento encolheu. “Nosso crescimento médio era de 4% ao ano e agora é de 1,5%”.
Na entrevista que concedeu antes da palestra, Bresser Pereira disse que o manifesto é uma alternativa à política liberal de governos como Collor, FHC e Temer e de certa forma uma crítica aos governos de Lula e Dilmar, o qual classificou de “parcialmente incompetente”.
Bresser Pereira destacou cinco pontos em que o Projeto Brasil Nação se sustenta para mudar a atual realidade.
O primeiro é a responsabilidade fiscal. O Grupo quer um estado grande, que financie educação, saúde, etc, mas com as contas públicas fiscalizadas. Bresser criticou FHC e Dilma nesse ponto e disse que apenas Lula foi responsável nesse assunto.
O Segundo é a diminuição das taxas de juros, segundo ele uma das mais altas do mundo, que só beneficia a burguesia.
O terceiro item é o superávit em conta corrente. Bresser defende uma taxa de câmbio competitiva: “Não precisamos de capitais estrangeiros” defendeu.
O economista também listou que é importante que o Estado recupere a capacidade de fazer investimentos e, por último, citou a distribuição de renda através de uma reforma tributária que seja progressiva.
Ainda na coletiva, o ex-ministro defendeu, além das reformas tributária e da previdência, uma reforma política.
Na palestra, Bresser não poupou críticas ao governo Temer, o qual chamou de ilegítimo. Também salientou que a atual política liberal não resolverá os problemas do país. “Eles querem que o trabalhador ganhe menos, isso não resolverá” exclamou. Também alertou sobre os erros dos governos Lula e Dilma: “Continuamos no liberalismo de Collor e FHC”.

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