Feira do Livro está com patrocínio indefinido

A 30 dias do início da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, a Câmara Rio-grandense do Livro (CRL) ainda não sabe o total de verbas de que vai dispor para realização do evento. Das duas principais fontes de recursos, apenas a Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, garantiu R$ 2 milhões a CRL para captação entre as empresas patrocinadoras. A Lei de Incentivo à Cultura (LIC), do Estado, ainda não habilitou o evento para receber ajuda financeira. Quem decide são os membros do Conselho, segundo o coordenador do Sistema LIC, Paulo Roberto dos Santos.
A primeira vez que foi analisado pelos 24 membros do Conselho Estadual da Cultura, a Câmara teve o projeto da Feira do Livro reprovado. Segundo o presidente do Conselho, Jorge Campos da Costa, o recurso da entidade deve ser analisado pelos conselheiros ainda nesta semana. “Só estamos aguardando a análise final das informações técnicas acrescentadas ao recurso, para que o relator do processo coloque em votação no plenário”, explica Costa. O nome do relator do processo é mantido em sigilo. A decisão depende do voto da maioria dos conselheiros. O projeto prevê a liberação de R$ 1,08 milhão para financiamento junto à iniciativa privada.
O presidente da CRL, Waldir da Silveira, não vê problemas para ser aprovado nesse segundo momento. Segundo ele, o projeto foi elaborado por uma das executivas da entidade entre os meses de janeiro e fevereiro, e apresentado no dia 15 de março. “Naturalmente, faltaram alguns documentos, mas nós anexamos ao recurso 740 páginas, e não vejo mais impedimentos”, afirmou.
A previsão de gastos na Feira, que acontece de 28 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega, gira em torno de R$ 2,2 milhões. Devem figurar como patrocinadores nesta edição, segundo Silveira, as empresas Copesul, Gerdau, Zaffari, TIM, a Prefeitura de Porto Alegre e a Refap.
Feira chega aos Cais do Porto
Este ano, a Feira do Livro terá seu espaço ampliado até o Cais do Porto. As 23 barracas da Área Infantil e Juvenil ocuparão os armazéns A e B. O Pórtico Central e a área existente entre os armazéns e o Guaíba serão ocupados por eventos direcionados a esse público. Nesse espaço também será montado um palco onde ocorrerá a abertura oficial do evento.
Pela primeira vez as crianças poderão visitar a Feira pela manhã, a partir das 10 horas. A ampliação do horário, exclusiva para a Área Infantil, possibilitará que se atenda melhor a demanda escolar, que no ano passado registrou a visita de mais de 127 mil jovens. O restante da Feira funcionará das 13h às 21h, com possibilidade de se estender até às 22h.
A marca da Feira deste ano, escolhida através de concurso cujo vencedor é o publicitário Cláudio Franco, diretor de arte da agência de propaganda Competence, e o patrono desta edição, eleito através do voto de 88 pessoas e entidades entre 10 “patronáveis”, serão conhecidos na primeira semana de outubro.
Outra mudança é a transferência da área Internacional e da praça de alimentação, antes localizadas na rua Capitão Montanha, para a avenida Sepúlveda. Um dos motivos é que técnicos do Projeto Monumenta estarão realizando escavações naquela área a fim de localizar vestígios do antigo prédio da Alfândega, um muro, um trapiche e as escadarias, construídos entre 1856 e 1858, que davam acesso ao Guaíba.
A mudança também atende a pedido da direção do Museu de Artes do Rio Grande do Sul que reclamou do cheiro forte de gordura que estava impregnando as obras de arte, no prédio ao lado. Outras escavações estarão sendo feitas na Rua dos Andradas, próximo a Praça da Alfândega, para localizar um sítio arqueológico indígena.
“Perdemos espaços importantes, nos dois lados da praça, até parece que combinaram de realizar as escavações bem no período da Feira”, lamentou o presidente da CRL, Waldir da Silveira. Mas salientou que a Câmara está fazendo os ajustes para que as obras não prejudiquem os feirantes. “Estamos finalizando o mapa da Feira centrados na idéia de descongestionar os corredores mais disputados pelos feirantes, da Sete de Setembro e da Andradas”, completou Silveira.
Além da atração principal – os livros e seus autores – , a Câmara Rio-Grandense do Livro pretende oferecer ampla programação cultural nos 19 dias do evento. Seminários, debates, palestras e oficinas abordarão assuntos como os 400 anos da primeira edição de Dom Quixote, de Cervantes; o centenário do nascimento do escritor e pensador francês Jean Paul Sartre; o centenário da morte de Júlio Verne; o bicentenário de Andersen e o centenário do nascimento do escritor Erico Veríssimo.
Entre os prédios que se incorporam à Feira estão o Memorial do Rio Grande do Sul – onde estará localizada a Administração -, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Santander Cultural, o Margs, o Centro de Cultura CEEE-Erico Verissimo e o Cinema Imperial, uma novidade deste ano.
Ceará é o estado convidado; Itália, o país homenageado
A maior feira do livro realizada ao ar livre da América Latina terá 149 expositores, sete a mais do que o ano passado. O estado brasileiro convidado é o Ceará, cujo governo trará delegação de autores e artistas.
A programação terá, como ponto alto, atividades relacionadas aos 140 anos da primeira edição da obra Iracema, de José de Alencar. Cerca de 10 escritores cearenses devem participar das atividades. Uma das principais atrações que será apresentada pelo Ceará serão os representantes do projeto estadual. “Artistas tradicionais transferem seus conhecimentos e tradições locais para as novas gerações e comunidade.”
A Itália é o país homenageado, que promoverá várias atividades relacionadas às comemorações dos 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Entre os destaques estão o filósofo italiano Antônio Negri (ex-guerrilheiro italiano e autor, junto com o americano Michael Hardt, de “Império”), Giuseppe Cocco (pensador político e colega de Negri no grupo italiano “As Brigadas Vermelhas”) e Ermano Cavazzoni (Roteirista do filme homônimo de Fellini (1990), livre adaptação de “Il Poema dei Lunatici”).
A expectativa de público para este ano é que chegue a dois milhões de pessoas, acima do registrado no ano passado. A Feira ocupará uma área total de aproximadamente 21 mil m², incluindo o Cais do Porto. A área coberta por lona será de oito mil metros quadrados.
Na edição do ano passado, o volume de livros vendidos na Feira foi de 498 mil exemplares, superando em quase 30 mil livros a marca atingida em 2003. A projeção é de que a 51ª edição supere este número. Além da oferta variada de títulos, uma das grandes vantagens que a Feira oferece é o desconto mínimo de 10% em qualquer exemplar comercializado na Praça e em várias livrarias de Porto Alegre, durante o período do evento.

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