Em nove encontros regionais, no Rio Grande do Sul, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) discutiu sua estratégia para as próximas eleições.
A alternativa que ainda mobiliza os debates internos é: candidato próprio ou aliança com o PMDB de Sartori?.
Uma votação preliminar indicou empate.
No caso da candidatura própria há um único nome proposto, o do ex-deputado Hermes Zaneti, que tem apoio de importantes setores do partido, mas esbarra numa resistência de caciques que acham mais seguro aspirar a uma vaga no senado à sombra do PMDB, apostando numa vitória de Sartori.
A alternativa que Zaneti oferece é exatamente o oposto. Ele se dispõe a ser candidato para ser o “anti-Sartori”.
Estudioso da dívida pública desde 1988, quando foi constituinte, Zanetti tem “argumentos demolidores” para mostrar que o caminho escolhido por Sartori “é desastroso e não é a única saída para a crise das finanças públicas do Estado”.
Zaneti se tornou conhecido como presidente do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul, hoje CPRS Sindicato, em 1979, quando ocorreu a primeira greve dos professores no Estado.
Começou a carreira política no MDB, levado por Pedro Simon, e se elegeu deputado federal no ano em que Simon chegou ao governo, 1986. Como deputado federal, assinou a constituição de 1988, da qual foi um ativo protagonista, na comissão de finanças. Filiou-se ao PSB em 2011.
Zaneti é um opositor temível para Sartori, além do mais, porque divide o eleitorado na região serrana, principal reduto do governador.
Filho de Veranópolis, vizinha da Caxias de Sartori, Hermes Zaneti é autor de uma façanha quase mítica na região: recuperou a Cooperativa Aurora, a maior vinícola brasileira, que ia fechar as portas, soterrada por dívidas depois de gestão fraudulenta.
O PSB adiou a decisão sobre a candidatura própria para um encontro mais perto da convenção, no início de agosto. Até lá provavelmente estará resolvida a questão do Regime de Recuperação Fiscal, o acordo com o governo federal, que é vital para as chances de reeleição de Ivo Sartori.
O setor que quer coligar com o PMDB alega a falta de recursos para a Campanha.
No caso do senado, dois nomes foram aprovados: José Fortunati, que assinou ficha com condição de ser candidato e Beto Albuquerque, candidato natural do partido.
Os dois são candidatos do partido confirmados pela executiva no mês passado. No caso de aliança com o PMDB um deles teria que abrir mão.
Zaneti trabalha como pré- candidato. Viaja pelo interior (nesta quinta, estava em Bagé) levando o livro que escreveu (O Complô) onde argumenta que o problema do Brasil e do Rio Grande do Sul é “um sistema financeiro perverso que estrangula o país, com o garrote da dívida pública”.

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