
Fortunati: “Não temos o que negociar”
(Foto: Divulgação/JÁ)
Carla Ruas
Na primeira semana de greve do magistério no Rio Grande do Sul, não há sinais de que o impasse possa ser resolvido logo. O governo do estado diz que não negocia enquanto os professores permanecerem parados e está irredutível quanto à apresentação de um índice de reajuste salarial somente em maio. Enquanto isso, o Cpers/Sindicato busca cada vez mais a adesão da categoria no movimento.
O governador em exercício, Antônio Hohlfeldt, passou o fim-de-semana longe dos problemas acadêmicos enquanto cumpria agenda no interior do Estado. Mas comunicou por telefone ao secretário da Educação José Fortunati a sua decisão de não negociar com os grevistas enquanto eles não retomarem as aulas. Nesta segunda-feira, (06/03), Fortunati afirmou que “a ordem do governador permanece”.
De qualquer maneira, o governo não tem a intenção de procurar o sindicato para conversar. “Nós já atendemos a maioria das reivindicações solicitadas pela categoria em janeiro. A questão do salário depende das contas do estado, que saberemos somente em maio”, diz o secretário. Ele explica que o prazo é necessário para que os técnicos da Secretaria Estadual da Fazenda possam avaliar o desenvolvimento da economia gaúcha nos primeiros meses deste ano.
A presidente do Cpers, Simone Goldschmidt, condenou a iniciativa do Estado de fechar as negociações: “Isso é uma forma de pressionar, intimidar o movimento, o que mostra claramente que a nossa greve é forte”, disse.
Para esta semana, a intenção dos grevistas é continuar visitando escolas em busca de um maior índice de adesão na paralisação iniciada na sexta-feira, (03/03). Além disso, o Cpers/Sindicato planeja um ato público na frente do Palácio Piratini na quinta-feira, (09/03), às 14 horas, com o objetivo de mobilizar os professores e pressionar o governo.
A guerra dos índices
Os índices de adesão à greve, divulgados pelo sindicato e pelo governo, permanecem contraditórios. O Cpers comunicou nesta segunda-feira, (06/03), um levantamento preliminar que indica a paralisação de 75% das escolas públicas no estado. Em Porto Alegre, 46 destas instituições estariam fechadas completamente.
A Secretaria de Educação discorda, dizendo que a grande maioria das escolas continua com suas atividades normais. O levantamento, realizado pelas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), mostra que 85,10% estão funcionando, sendo 2.097 totalmente e 292 parcialmente.
O secretário avaliou como positivos os números deste relatório, mas lamentou que pelo menos 15% das escolas estaduais estão fechadas. “O levantamento demonstra que os professores gaúchos compreenderam a situação do Estado e que, em respeito aos 1,45 milhão de alunos da rede estadual, irão aguardar em sala de aula o reajuste que será apresentado pelo governo em maio”, explicou.

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