Felipe Uhr
Repórteres e fotógrafos que cobrem a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, acostumados a circular livremente pelo plenário durante as sessões, agora terão de ficar em área demarcada enquanto acompanham os trabalhos do legislativo.
A medida é nova e teve aceitação unânime na nova Mesa Diretora, empossada no dia 4 de janeiro deste ano, presidida agora pelo vereador Valter Nagelstein (MDB).
Na prática, repórteres terão de esperar a aproximação dos parlamentares ou terão de chamá-los através de assessores.
Para o presidente Nagelstein: “Não há restrição nenhuma”, ao trabalho dos jornalistas. O vereador ainda salientou que diferente do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul onde a Imprensa não tem acesso ao plenário, na Câmara isso continuará acontecendo, porém, em um espaço pré-determinado.
Alguns jornalistas que cobrem diariamente o legislativo da capital não esconderam a insatisfação com o novo modelo: “Acho que agora vamos ter de atirar ‘aviãozinhos’ nos vereadores pra chamá-los”, ironizou um repórter.
Publicamente só vereadores da oposição se disseram contra. “Em off” vários disseram a reportagem se tratar de uma “bobagem” ou “absurdo”.
Além do “brete” aos jornalistas, a circulação de assessores parlamentares ao plenário também terá modificações. Antes indeterminada, agora cada cada parlamentar terá direito de ter apenas um assessor no plenário.
Os motivos das medidas também não são claros. Oficialmente a presidência alega organização para que o plenário não fique lotado. Já as informações não oficias são que a ideia partiu de um grupo de vereadores incomodados com a abordagem espontânea e instantânea dos repórteres assim como a publicação de fotos “não oficiais e indesejadas” realizadas pelos fotógrafos dos veículos de imprensa. “Eles não queriam aquelas fotos em que aparecem mal ou com o rosto estranho”, confidenciou um parlamentar.

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