Imprudência transforma eixo Osvaldo-Protásio em “corredor da morte”

Guilherme Kolling

Cinco mortes e mais de 50 atropelamentos. Esse é o saldo da violência contra pedestres no eixo das avenidas Osvaldo Aranha e Protásio Alves neste ano. Nem o atropelamento horripilante de um senhor de 92 anos, que foi atingido por um ônibus na parada em frente ao Hospital de Clínicas, foi capaz de dar um freio à imprudência da população ao atravessar a via. Bastam alguns minutos para observar dezenas de pessoas desrespeitando as leis do trânsito. A reportagem do JÁ foi conferir em 17 de outubro.

Fotos Tânia Meinerz

Um senhor idoso caminha mancando mas atravessa a avenida Osvaldo Aranha por um atalho: evita a sinaleira e anda em diagonal, passando entre os carros. Tudo para cortar uns metros de caminho. É Seu Peri Soares, 72 anos, aposentado. “Fui por ali porque me facilita”, explicou.

“Vou fazer 73 anos e nunca tive acidente de trânsito. E olha que eu dirijo desde os 12”. João dos Santos Fraga, 53, se desloca de bengala, mas tenta cruzar o corredor de ônibus da Osvaldo, em frente ao HPS, mesmo com o sinal fechado. Numa das pistas, o coletivo pára e recebe passageiros. É a senha para que várias pessoas se arrisquem, sem saber se vem algum ônibus no sentido oposto. Parece roleta-russa. Fraga tenta, mas não consegue vencer a segunda pista, recua com vinda dos veículos.

Questionado, ele diz que o motorista do outro lado não foi educado, poderia ter parado. Depois reflete e muda o discurso. “Se bem que o sinal estava para ele. O problema não é falta de sinalização, mas o desrespeito do ser humano”, admite.

Os dois casos não são isolados. Um médico residente no HPS, Márcio Rodrigues, conta o que acontece enquanto espera o sinal abrir. “A gente recebe direto gente atropelada. E aqui na Osvaldo, acontece toda hora”, atesta. “Outro dia meus colegas foram retirar um homem debaixo das rodas de um ônibus”. Mais um minuto e mais uma cena incrível. Marcelo Nunes, motoboy, 25, passa a pé no meio da Osvaldo Aranha, vencendo seis pistas sem a proteção da sinaleira. “Estava com pressa”, justifica.

A corrida para aproveitar o sinal inclui crianças e idosos. Tereza Brum Viana, 68, é uma exceção. Enquanto dezenas de pedestres aproveitavam uma pequena  folga no vai-e-vem dos ônibus para atravessar, ela espera, sozinha, até aparecer o verde. Foi a única, aliás. “Aqui é comum o pessoal não respeitar. Eu espero sempre. É um direito que eu tenho e os motoristas têm”, ensina.

Violência no trânsito em Porto Alegre
Acidentes 14.109
Feridos 4.964
Vítimas Fatais 105
Atropelamentos 869
Feridos 946
Vítimas fatais 60
Fonte: EPTC
Dados de 2005, até agosto

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