Investigação nos Fundos de Pensão pode ter impacto maior que petrolão

As investigações sobre os fundos previdenciários estatais (Petros, Previ, Funcef, Postalis) já resultaram em prisões de executivos que ocupam cargos preenchidos por indicação de partidos.
As maracutaias envolvem muito mais grana do que o Mensalão, que vai ficando pequeno à medida que se abrem novas caixas pretas.
O caso dos fundos pode não ter a dimensão financeira do Petrolão, mas é provavelmente mais grave porque tem repercussões múltiplas provocadas pelo encadeamento econômico dos seus investimentos, a maior parte deles voltados para projetos de infraestrutura (usinas hidrelétricas, portos, rodovias e ferrovias), executados a longo prazo por grandes empreiteiras.
Ao lado do BNDES, do BB e da CEF, os fundos de previdência de órgãos estatais se tornaram os principais financiadores do desenvolvimento brasileiro pela via keynesiana.
Com ou sem propinas nas jogadas, os fundos perderam dinheiro em projetos atrasados da Eletrobras, Petrobras e particulares (Eike Batista, por exemplo), pois não tiveram a rentabilidade esperada/prometida e ainda pegaram mau tempo pela frente (inflação e recessão).
Tudo isso reforça a tese neoliberal de que cabe ao Mercado tomar conta da economia. Na real, o problema dos fundos previdenciários vem de longe. Não devemos esquecer o caso da Varig, que deixou um monte de gente na chuva. E o GBOEx?
Não é à toa que o governo Temer quer reformar a Previdência Social. O objetivo lá adiante é intensificar a privatização do maior número possível de ativos públicos. (Geraldo Hasse)

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