Wálmaro Paz
“Jango e eu” (Memórias de um exílio sem volta). Este livro de 358 páginas, escrito por João Vicente Goulart e editado pela Civilização Brasileira será lançado as 19 horas desta terça-feira (10) na livraria Cultura. Trata da vida da família do ex-presidente João Goulart ,sua mulher Maria Teresa e seus filhos João Vicente e Denise.
É a história detalhada da vida do dia a dia de uma família no exílio. Emocionado, João Vicente lembra:” Contêm esperanças, atribulações, destinos, Política. Sim porque a vida da família Goulart era paralela a história de seu país e da América Latina. Tem um recorte bem delineado que começa no dia 1º de abril de 1964 e se encerra no dia 6 de dezembro de 1976 que é a morte do pai”.
O autor recorda quando cai o Brasil, depois o Uruguai, o Paraguai, a Argentina, se produz um dominó de ditaduras na América Latina e essa peregrinação fugindo delas foi feita pela mulher e os dois filhos do ex-presidente.
“ O exílio nos ensinou a ser aves peregrinas porque tivemos que apreender a estar permanentemente mudando de lugares e de países porque o espaço se tornava cada vez mais reduzido para aqueles que, como o meu pai acreditavam na democracia, na justiça social e na liberdade como forma de governo”.
Este período foi uma época de ascensão de ditaduras no mundo todo. “Mas no começo, meu pai pensava como tantos dos políticos da época que seria somente uma quartelada e apostaram na eleição de 1965. Se houvesse eleição naquele ano, o eventual eleito deveria dar uma anistia e pacificar o país. Mas depois que se definiu que não haveria eleição, e não houve esta reorganização democrática ele se deu conta de que a ditadura tinha vindo para ficar”.
E lembra que o autoritarismo foi ficando cada vez maias intenso: “AI-1, AI-2, AI-3, AI-4 até o famigerado AI-5, em 68. E que Jango se deu conta que teria que começar uma vida nova, criar os filhos no exílio. A mostrar o caminho a eles dentro desta formação de valoriazação da pessoa humana. “ Este é um relato que faço tanto na parte familiar quanto na parte política que aconteceram paralelamente.
João Vicente recorda ainda que em seguida veio uma época esperançosa. Em 1973 cai a ditadura do Uruguai. Jango já tinha estado com Perón (Juan Domingos Perón, líder populista argentino) em Madrid em 1972. Depois houve a volta de Perón para a Argentina. Em 1973, nós fomos para Argentina com aquela esperança de muitos líderes latino-americanos exilados -uruguaios, bolivianos, chilenos – que haviam sofrido golpes de estado. Através daquela redemocratização isso pudesse refletir em toda América Latina. “Porém aquele país se transformou no grande celeiro de líderes assassinados pela Operação Condor”, afirma amargamente .
Paralelemente ao dia a dia da família ele vai contando esta sucessão de golpes na américa-latina todos eles dirigidos e planejados pelo Departamento de Estado Norte-americano Pelo comitê dos 40 dirigido pelo Kissinger. “Nós, eu e minha irmã, vamos crescendo neste diluvio de ditaduras que se abatem, sobre a América Latina. E a gente apreende a crescer, mas sempre visando um pais livre, sempre lutando pela justiça social que algum dia haveria de ressurgir no Brasil. Lamentavelmente Jango não pode ver esta realidade. Por isso o subtítulo Memórias de um exílio sem volta.
O livro foi lançado em dezembro em Brasília, depois Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e agora Porto Alegre.

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