Poucos profissionais do fotojornalismo no Brasil conseguem ter em suas biografias duas características que marcam a trajetória do porto-alegrense Ricardo Chaves, o Kadão: participar ativamente da História que se desenrola em frente à sua câmara fotográfica e deixar que essa História invada sua vida através da paixão, das amizades criadas na correria do jornalismo e nas experiências que acabam também por fazer parte dessa mesma História.
Kadão registrou o contemporâneo de sua cidade, Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, do Brasil e de diversas partes do mundo ao longo de mais de 40 anos. Fotografou líderes mundiais, nacionais e locais; momentos políticos marcantes; eventos esportivos de diferentes níveis; personalidades e pessoas comuns; o cotidiano dos locais onde trabalhou e morou. Em qualquer uma dessas realidades, deixou não só a marca de fotojornalista como também a de seu humanismo marcante.
Segundo o jornalista, curador e crítico de fotografia Rubens Fernandes Júnior, Ricardo Chaves é da época em que o fotojornalismo assumiu definitivamente sua condição de trazer em cada imagem informações que, de alguma forma, impactassem o leitor. “Ele soube fazer isso com maestria e pontuou sua presença na imprensa brasileira com imagens que ajudam a contar a história recente do Brasil.”
Essa trajetória levou-o ao livro-documento “A força do tempo – Histórias de um repórter fotográfico brasileiro”, no qual imagem e texto se completam, ajudando a contextualizar cada flagrante reproduzido ou fotografado pelo autor. Na obra, a vida pessoal de Kadão Chaves, desde que nasceu em Porto Alegre em 1951, se mistura com sua vida profissional, iniciada em 1969 e que, depois de passar pelas redações jornais e revistas nacionais, como Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Veja, IstoÉ, retornou, em 1992, à sua cidade natal para assumir o cargo de diretor de fotografia de Zero Hora – e hoje assina a coluna Almanaque Gaúcho.
O livro de Kadão Chaves, ilustrado com centenas de imagens, foi produzido pela Quati Produções Editoriais, sob selo da Libretos Editora, com financiamento do Fumproarte, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A edição é de Pedro Haase Filho e o design gráfico de Clô Barcellos.
Kadão autografa o livro hoje, a partir das 19h30, no Átrio do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa (avenida Independência, 75).
| Ficha técnica“A força do tempo – Histórias de um repórter fotográfico brasileiro” Autor: Kadão Chaves Editora: Libretos 184 páginas Formato: 20 cm x 25 cm ISBN: 978-85-5549-014-9 Preço de venda: R$ 50,00 Financiamento: Fumproarte O autor |
Ricardo Chaves, o Kadão, nasceu em Porto Alegre, em 21 de julho de 1951. Começou sua trajetória profissional em 1969, quando se tornou auxiliar de laboratório e, depois, fotógrafo no jornal Zero Hora. Saiu de ZH para trabalhar com Assis Hoffmann na Agência Focontexto, que atendia as sucursais de jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo na capital gaúcha. Em 1972, foi contratado como fotógrafo da sucursal do Jornal do Brasil. Dois anos depois, passou a ser freelancer para as revistas Veja, Placar e Quatro Rodas, entre outras, da Editora Abril. Na sequência, foi efetivado como fotógrafo da Veja na sucursal de Porto Alegre. Em 1981, transferiu-se para a sucursal da revista no Rio. Saiu da Veja em 1984, indo para a revista Isto É, na qual assumiu, primeiro, como editor adjunto e depois como editor de fotografia, em São Paulo. Em meados de 1988, recebeu convite da Agência Estado (O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde) para trabalhar na sucursal de Brasília. Voltou para São Paulo em 1991, como um dos editores de fotografia da Agência Estado. Em maio de 1992, retornou para Porto Alegre ao assumir o cargo de editor de fotografia de Zero Hora.
Kadão participou de algumas mostras de fotografia no Brasil e no Exterior. Fez ainda cinco exposições individuais:Uruguai, imagens de uma história recente (1980), Sonhos ao Sol (1987), F-1 – Vida de Cigano (1992), Além da Utopia (1994) e Vietnam – Tempo de Viver (1998). No ano de 1998, foi um dos fotógrafos convidados da II Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, onde expôs três trabalhos na coletiva Mostra Brasil. Em março de 1999, participou, em Porto Alegre, da exposição Os Gaúchos na Bienal de Curitiba II. No mesmo ano, foi um dos autores na 9ª Edição da Coleção Masp/Pirelli, participando da coletiva, do catálogo e tendo seus trabalhos incluídos no acervo do Masp. Em 2003, participou da edição e teve fotos publicadas no livro Cenas da Vida Gaúcha, produzido com material da equipe de fotógrafos dos jornais do Grupo RBS (Zero Hora, Pioneiro, Diário de Santa Maria e Diário Gaúcho). Em junho de 2005, convidado pela embaixada do Brasil Suriname, realizou a exposição Retratos do Brasil e ministrou workshop em Paramaribo. Em 2007, co-editou e publicou fotos no livro Imagens Gaúchas, da RBS Publicações. Sob os auspícios do grupo espanhol Innovation Media Consulting, realizou trabalhos de consultoria na área de fotografia para os jornais El Caribe, na República Dominicana, Diário de Notícias, na Ilha da Madeira/Portugal, Correio, em Salvador, Diário do Norte, de Maringá, e A Tribuna , de Vitória. Também participou como jurado, desde 2010, das últimas edições do Prêmio Conrado Wessel, de Fotografia, em São Paulo, a mais importante e prestigiada distinção da fotografia brasileira. Como convidado especial, foi um dos expositores na mostra Shangai, evento da 4ª edição do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre (o FestFoto POA), em 2010. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Ari de Jornalismo – categoria Webjornalismo, em parceria com a repórter Kamila Almeida na reportagem Quartos Vazios.
Em 2013, Kadão Chaves foi o fotógrafo homenageado da 7ª edição do FestFoto POA, quando também apresentou uma retrospectiva de sua trajetória profissional na exposição A Força do Tempo, no Museu de Arte Contemporânea, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Joaquim Felizardo, na categoria fotografia. De 2010 a 2014, escreveu e editou a coluna Reflexo, sobre fotografia, publicada mensalmente no extinto caderno Cultura, do jornal Zero Hora. Atualmente, edita no mesmo jornal a página diária Almanaque Gaúcho, sobre história e memória regional.

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