Manifestantes pedem respostas ao governo estadual

Manifestantes do Movimento de Luta contra o Pedágio na frente do Piratini (Foto: Helen Lopes/JÁ)

Helen Lopes e Carla Ruas

Dois protestos se encontraram por acaso na tarde desta quinta-feira, (9/03), em frente ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Os manifestantes do Movimento de Luta contra o Pedágio da RS 40 se juntaram aos mais de três mil professores grevistas do ensino público estadual. Apesar de terem reivindicações diferentes, unidos gritaram palavras de ordem contra o governo Rigotto. “Rigotto a culpa é tua. Trabalhador na rua”, repetiam os manifestantes.

O grupo do magistério, composto por professores, funcionários, estudantes secundaristas e até universitários, pretendia mostrar ao Governo do Estado que está mobilizado e tem a adesão da maioria dos professores. “Queremos mostrar a força do nosso movimento, que tem o apoio da sociedade. As pessoas entendem que a educação é prioridade”, afirmou a presidente do Cpers, Simone Goldshmidt.

Os professores reivindicam 28% de reajuste imediato, mas o governo diz que só poderá conversar sobre aumento em maio, quando sair o relatório das contas do Estado. Enquanto o magistério estiver em greve, o governador em exercício, Antônio Hohlfeldt, garante que não haverá negociações.

Presidente do Cpers, Simone Goldshmidt, espera contato do governo para abrir as negociações (Foto: Carla Ruas/JÁ)

De acordo com a presidente do Cpers, não havia a intenção de pedir uma reunião no Palácio. “Vamos esperar o contato do governo para abrir as negociações. Está faltando debate no governo que foi eleito com a promessa de diálogo”, disse.

Entre uma fala e outra, vaias e as palavras de ordem criticavam o governador Germano Rigotto. Os manifestantes acusam o governador de estar pensando somente na possível candidatura à presidência da República e negligenciando as questões do Estado. “Rigotto incompetente. Quem disse que vai ser presidente?”, cantavam os professores.

Os professores se concentraram por volta das 14 horas em frente ao Cpers/Sindicato, na Avenida Alberto Bins. De lá, caminharam até a Praça da Matriz pelas Avenidas Salgado Filho e Borges de Medeiros. A passeata causou interrupções no trânsito e chamou a atenção de quem estava no centro da cidade. Em um momento curioso, os manifestantes sentaram no chão, ocupando metade da Avenida Salgado Filho.

Sem respostas

A presença da grande quantidade de professores deu força a um outro movimento: o dos moradores de Viamão. Eles foram pedir decisões do governo estadual sobre o impasse da praça de pedágio que divide a cidade. Cerca de 150 viamonenses chegaram em carreata na Praça da Matriz, por volta das 15h30min. Ao todo eram três ônibus, fretados pelos manifestantes, e mais cerva de 20 carros particulares.

Luiz Carlos Gutierrez Nunes, integrante do Movimento de Luta contra o Pedágio, acredita que os dois grupos se completam. “Afinal, os professores ganham mal e ainda têm que pagar pedágio”, brincou.

Os representantes do Movimento, juntamente com o prefeito de Viamão, Alex Boscaini, foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Pedro Bisch Neto. Na ocasião, entregaram uma carta pedindo solução para o caso. Depois de quase uma hora de reunião, Boscaini informou que o chefe da Casa Civil deve marcar uma reunião com o secretário dos Transportes na próxima terça-feira (14/03).

Chefe da Casa Civil ficou irritado

Segundo uma fonte que participou do encontro, a reunião transcorria tranqüilamente, quando os integrantes do Movimento de Luta contra o Pedágio falaram que “ações mais incisivas serão tomadas caso não haja solução em 15 dias”, conforme o documento que foi entregue pede. Neste momento, o chefe da Casa Civil teria ficado irritado, encerrando a reunião.

Entre as ações que podem ser tomadas pelos manifestantes, após o prazo, está um acampamento na rodovia. “Se o governo não tomar providências existe a possibilidade de acampamento, sim”, garantiu Carlos Augusto Lopes, integrante do Movimento. De acordo com ele, ainda não está decidido se durante esse período haverá protestos na RS – 040.

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