Marielle Franco, vereadora executada no Rio: "Quantos mais vão precisar morrer?"

O assassinato da vereadora Marielle Franco, na região central do Rio de Janeiro na noite desta quarta-feira repercute no país inteiro e ganha destaque nos principais jornais do mundo.
Mesmo os cariocas, acostumados a uma rotina de violência, numa cidade que está sob intervenção militar, se manifestaram chocados com a brutalidade do crime, com toda a característica de uma execução.
Pelo menos nove balas 9 mm perfuraram o carro da vereadora, que foi atingida na cabeça por quatro tiros. O motorista Anderson Pedro Gomes, que dirigia o carro, também morreu na hora. Uma assessora de imprensa, que estava junto, escapou com ferimentos leves.
A assessora de imprensa que acompanhava a vereadora Marielle Franco (PSOL), no momento em que ela e o motorista do veículo foram assassinados, prestou depoimento por cinco horas na Delegacia de Homicídios.
A assessora sofreu escoriações e ferimentos leves provocados por estilhaços de projéteis, e ficou muito abalada, mas foi até a delegacia após receber atendimento.
A Polícia Civil ainda não divulgou o conteúdo do depoimento da assessora, que evitou a imprensa.
A vereadora Marielle foi morta na noite desta quinta-feira, no momento em que voltava para casa, depois de participar de um evento.
Segundo policiais, os disparos foram feitos de trás para frente do veículo e entraram pela janela lateral traseira. Por estar na linha de tiro, o motorista Anderson Pedro Gomes também foi alvejado. Nenhum pertence foi levado.
Policiais militares no local informaram que um carro teria emparelhado com o da vereadora, e os ocupantes abriram fogo, fugindo em seguida. A janela à direita no banco de trás, onde estava Marielle, ficou destruída. O crime aconteceu na esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo I.

“Quantos mais vão precisar morrer?”

Uma dia antes de ser assassinada, ela criticou a violência policial pelas redes sociais. Num post, ela questionou a ação da Polícia Militar.

Na mesma rede social, Marielle chamou o 41° BPM de “Batalhão da morte”, no sábado (10). “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu ela.

Caloura na Câmara dos Vereadores, Marielle Franco se elegeu em 2016 com um resultado expressivo não só pela quantidade de votos — foi a quinta mais bem votada, com o apoio de 46 mil eleitores — mas pela força simbólica de sua campanha.
Representando as bandeiras do feminismo e dos direitos humanos, levou para o debate eleitoral a defesa dos moradores de favelas.
Nascida e criada na Maré, Marielle estudou Sociologia na PUC, com o apoio de bolsa integral, e fez mestrado em Administração Pública na UFF. Foi assessora parlamentar do deputado estadual Marcelo Freixo, seu colega no PSOL, até se eleger para o Legislativo municipal há dois anos.
Na Câmara, apresentou projeto para a criação do Dossiê da Mulher Carioca, para levar a prefeitura do Rio a compilar dados sobre violência de gênero no município. Também atuou para permitir na cidade o aborto nas condições estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal e para ampliar o número de Casas de Parto: locais destinados à realização de partos normais.
Na última semana, deu ênfase a sua agenda para celebrar o Dia Internacional da Mulher com caminhadas pela Maré, Santa Cruz e o Centro do Rio. Em discurso no plenário da Câmara, questionou a representatividade feminina:
— Se este Parlamento é formado apenas por 10%, 13% de mulheres, nós somos a maioria nas ruas. E sendo a maioria nas ruas, somos a força exigindo a dignidade e o respeito das identidades. Infelizmente, o que está colocado aí nos vitima ainda mais — disse Marielle, no último dia 8.
Durante um ano e três meses como vereadora carioca, Marielle organizou audiências públicas sob a questão de gênero e com integrantes do movimento negro.
Participou de debates sobre educação, economia e ativismo na internet. Ela integrava a Frente em defesa da Economia Solidária. Nos últimos meses, preparava um projeto de lei para coibir o assédio nos ônibus municipais.
Antes de ser morta, Marielle participou de uma roda de conversa com jovens negras e transmitiu o evento em suas redes sociais. A vereadora vinha questionando, na internet, a violência no Rio — o estado está sob intervenção federal na segurança pública.

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