Marlon Santos propõe diálogo e diz que legislativo não aceita “patrola”

Numa sessão histórica, sem a presença do governador e com quebra do protocolo, o deputado Marlon Santos, do PDT, assumiu  a Presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul na tarde desta quinta-feira.
Falou de improviso, distribuiu beijos (“Eu amo vocês”), lembrou dos tempos em que dormia em pelegos e falou do esforço que sua “personagem política” faz para se afastar do erro e “das coisas tolas”.
Ao dirigir-se ao vice governador José Paulo Cairolli, nos diversos trechos em que mencionou a necessidade de diálogo entre o Executivo e o Legislativo, sendo aplaudido, praticamente o elegeu para resolver o conflito entre os dois poderes, provocado pela derrota do governador José Ivo Sartori nas três sessões extraordinárias desta semana.
Falou de sua condição de órfão de pai e mãe ainda menino (“A gente perde os sentido da vida”) mas evitou homenagem póstuma: “Acredito piamente que a vida segue”. Declarou-se a favor de “todos os trabalhadores produtivos, mesmo os milionários”. Elogiou seus “antecessores queridos”, ressaltando “a doçura de Silvana” (deputada Silvana Covatti, ex-presidente da Casa) e o “coração enorme” de Edegar Pretto, que ele sucede no cargo.
Disse que a crise do Estado é uma “herança maldita”, quem vem de muitas gerações e que neste momento estremece amizades e poderes, “uma crise infame”, que todos estão interessados em resolver. E alfinetou o governo:
“Mas não é só mandar pra lá e vamos ver”, disse referindo-se aos projetos que o governo enviou para aprovar nas sessões extraordinárias.  “O Parlamento é manso e ordeiro, ninguém negará uma reunião para arredondar um projeto. Agora, querer patrolar…”. Deu a entender que não foi a oposição, nem o PT, que  derrotaram o governo.
Foi aplaudido ao dizer que, apesar das urgências, “é preciso parar um pouquinho e conversar, para harmonizar”. Reagiu aos aplausos com uma frase de efeito: “A Assembleia não é o algoz da crise”
Lembrou que conheceu colchão e “carne de verdade” aos 18 anos quando serviu o Exército, tendo na infância dormido em pelegos e se alimantado a pão d’água. “Eu tive muitos pais, um deles foi o Exército”, disse.
Explicou que fazia o registro porque lembrava sempre “daquele cara” mas que não se vangloriava de ter sido pobre. “A pobreza não ensina nada a ninguém. A gente não consegue nem raciocinar, a pobreza inutiliza o homem”, disse sob aplausos.
Encerrou com um inédito ato religioso ecumênico, oficiado pelo padre Edson Pereira e pelo pastor evangélico Paulo Gonçalves.
Além das autoridades devidamente nominadas, um público numeroso ocupou o plenário e as galerias do Parlamento, ficou lotado o teatro Dante Barone e um telão do lado de fora reuniu centenas de pessoas, muitas vindas do Interior, com as quais o novo presidente veio tirar selfies, antes do show de música nativista que encerrou o evento.
 

Comentários

Uma resposta para “Marlon Santos propõe diálogo e diz que legislativo não aceita “patrola””

  1. Avatar de Marilia
    Marilia

    Ato ecumênico é algo bonito, mas num órgão público? por que, se o Estado e o Parlamento são – ou devem ser – laicos?

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