GERALDO HASSE
O radialista Gabriel Boeira, secretário da Associação de Apicultores dos Campos de Cima da Serra, classificou como “excelente” a reunião realizada na última segunda-feira à tarde em São Francisco de Paula para se obter o selo de indicação geográfica do mel branco produzido nos municípios de Bom Jesus, São José dos Ausentes, Cambará do Sul, Jaquirana e São Chico.
Os apicultores receberam dicas e instruções da veterinária Beatriz Kuchenbecker, do escritório do Ministério da Agricultura em Porto Alegre.
À reunião esteve presente o professor (de apicultura) Anselmo Kuhn, presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul. “O processo de obtenção do selo leva de dois a três anos”, diz ele, lembrando que é fundamental criar uma infraestrutura ou, seja, uma “casa do mel” apta a conquistar o certificado de inspeção federal (CIF) concedido pelo MAPA. Depois disso, pode ser encaminhado o pedido de registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), cujo processo pode demorar pelo menos um ano.
Estima-se que uma casa do mel bem equipada custe cerca de R$ 300 mil reais, valor que pode ser obtido por empréstimo junto a bancos de fomento ou mediante contribuição voluntária de apicultores em ação conjunta com apoiadores públicos e/ou privados.

O mel branco dos Campos de Cima da Serra é uma especialidade resultante das floradas de três árvores da região – carne-de-vaca, gramimunha e guaraperê – que dão néctar abundante no auge do verão. Este ano a safra (considerada boa) se prolongou até meados de fevereiro.
O assunto da indicação geográfica do mel branco será discutido em meados de 2018 no congresso estadual de apicultura em Panambi. Há muitos apicultores nativos dos Campos de Cima da Serra, mas os maiores produtores desse ecossistema são oriundos de outras regiões, especialmente de Santa Catarina, que sedia alguns dos maiores operadores da apicultura migratória.
No Rio Grande do Sul há uma dezena de variedades de mel. Além do branco, os mais comuns são os de eucalipto, de laranjeira e o silvestre, que poderia ser qualificado como “genérico”, já que resulta de uma composição do néctar de diversas plantas, como todos os méis, já que as abelhas visitam todas as flores que encontram em seus voos.
Nas últimas safras vem aumentando o volume do mel de uva-do-japão, tanto que alguns apiários já colocaram em circulação rótulos indicando o produto dessa árvore exótica invasora da mata atlântica. No litoral norte do RS produz-se o mel de quitoco, erva também chamada de arnica. Destaca-se ainda o chamado melato, resultante do processamento pelas abelhas da resina da bracatinga, árvore nativa do sul do Brasil. Por ser um mel escuro, o mel da bracatinga é pouco valorizado. No entanto, segundo Anselmo Kuhn, é de todos o mais rico em sais minerais.
Mel branco dá o primeiro passo para obter o selo de origem
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