O último debate antes do pleito de domingo comprovou o que já vem se definindo ao longo da campanha: dificilmente haverá novidade na disputa municipal em Porto Alegre.
O debate foi realizado pela RBS TV, com os cinco candidatos melhor posicionados nas pesquisas: Sebastião Melo (PMDB), Raul Pont (PT), Luciana Genro (PSOL) , Nelson Marchesan Jr. (PSDB) e Maurício Dziedricki (PTB).
Sebastião Melo, vice-prefeito à frente de uma coligação de 14 partidos, lidera as pesquisas e foi o que demonstrou melhor desenvoltura. Na campanha, ele conseguiu a proeza desvincular-se dos desgastes da atual gestão de José Fortunati, mesmo sem esconder sua condição de candidato da continuidade.
Melo foi, ao longo dos quatro anos, o prefeito efetivo da capital, substituindo José Fortunati na maioria das atividades públicas na cidade. De temperamento conciliador, e estilo populista, ele se revelou hábil para tirar proveito de sua condição de vice-prefeito, que em tese não seria diretamente responsável pelos problemas da gestão, mas que se fazia presente nas comunidades e disposto a encaminhar as soluções.
Com isso, conseguiu desvencilhar-se da baixa popularidade do prefeito e até mesmo do governador do Estado, que é de seu partido. Seu discurso – manter o que está bom e mudar o que está ruim – é desgastado, mas funcionou para neutralizar o aspecto mais negativo da atual administração, que é o grande número de obras inacabadas, com destaque para os grandes projetos para a Copa do Mundo, de 2014, que até agora não ficaram prontos.
Essa performance lhe rendeu a liderança nas pesquisas, chegando a 29% das intenções de voto, e lhe garantiu bom espaço nos debates.
No último debate, o de maior audiência e na antevéspera do pleito, ele era o alvo preferencial dos outros candidatos por sua situação nas pesquisas e, por isso, foi o mais questionado e, portanto, o que mais apareceu no debate.
Raul Pont, candidato do PT, na condição de ex-prefeito, demonstrou claro conhecimento dos problemas da cidade. A experiência de quem, quando esteve no cargo, soube realizar projetos e promover mudanças importantes na administração pública municipal é o seu principal trunfo nesta campanha.
Não foi bem nos dois primeiros blocos, não fazendo jus à sua condição de professor e deputado experiente, mas na metade final demonstrou que é um candidato preparado, que tem um plano de ação consistente.
Não foi atacado no seu ponto mais fraco – a rejeição ao seu partido abalado por escândalos e alijado do poder federal pelo um impeachment que destituiu a presidente Dilma Rousseff. Nas urnas, porém, esse desgaste aparecerá, mas talvez não o suficiente para tirá-lo do segundo turno.
Nelson Marchesan Jr. que aparece em segundo lugar nas pesquisas, tecnicamente empatado com Raul Pont, não fez jus à expectativa, alimentada em toda sua campanha, de representar o novo desta eleição, sem compromisso com o passado petista nem com o presente de uma administração desgastada.
Ficou explícita a sua pouca familiaridade com as questões mais complexas da capital, dando ensejo a que Melo o chamasse de “visitante”. A contradição de sua condição partidária (ele é oposição mas o PSDB, seu partido, integrou o governo municipal) foi também explorada pelo candidato do PMDB. Pagou ainda o preço de ser uma cara nova com bom desempenho na campanha e potencial para crescer, o que levou os demais adversários a evitarem lhe dar visibilidade. Por isso quase não foi questionado nos blocos finais, quando os candidatos faziam perguntas entre si.
Luciana Genro, do PSOL, apareceu à frente nas primeiras pesquisas, mas provavelmente pelo pouco tempo que tem no horário eleitoral da televisão, não manteve o pique. É quarta colocada e o debate, especialmente este último, de maior audiência, era sua principal oportunidade para reverter a situação. Não parece ter conseguido. Reclamou que não teve chance de apresentar as 300 propostas que tem para melhorar a cidade mas, talvez por isso, pela falta de tempo e espaço para apresentar seu programa, mostrou-se tensa. Insistiu no bordão de sua campanha “Eu tenho as mãos limpas” visando tocar o sentimento anti-corrupção nos eleitores e prometeu uma “nova política”, distante dos arranjos partidários e do clientelismo. Prometeu acabar com 700 cargos em comissão na prefeitura e com esses recursos desenvolver um programa para atender quatro mil mulheres em situação de vulnerabilidade. Também foi pouco questionada pelos demais candidatos na hora das perguntas entre si e, portanto, teve menos exposição.
Mauricio Dziedricki, do PTB, fez toda a campanha com ênfase no fato de ser uma cara nova na disputa eleitoral e ser o mais jovem entre os atuais postulantes à prefeitura. No debate manteve esse foco, tentando galvanizar o sentimento de repúdio aos políticos tradicionais e às práticas envelhecidas da política. Destacou a necessidade de inovação e de estímulo ao empreendedorismo para revitalizar a economia municipal. Sem dúvida, um perfil novo, mas talvez novo demais para que o eleitor aposte nele desta primeira vez.

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