No segundo dia de protesto, o movimento dos caminhoneiros se ampliou, chegando a 24 estados pelo menos, afetando já setores estratégicos da economia em todo o país com bloqueio de rodovias federais e estaduais nesta terça-feira (22).
A Associação Brasileira de Caminhoneiros disse que a adesão subiu de 200 para 300 mil profissionais, com manifestações em 275 pontos em todo o país.
A maioria dos atos impede a passagem de caminhões, mas libera a de carros de passeio e outros veículos. Alguns protestos ocorrem apenas nos acostamentos.
Os caminhoneiros querem a redução do valor do óleo diesel, que tem tido altas consecutivas nas refinarias. O preço médio do diesel nas bombas já aumentou 8 por cento no ano, perante uma inflação de 0,92 no mesmo período.
Com a continuidade do movimento, vários setores estratégicos que dependem do transporte por caminhões começam a dar sinais de Fabricas de veículos como Chevrolet, Fiat e Ford afirmaram que as manifestações começam a afetar a produção.
A GM divulgou nota informando que o movimento dos caminhoneiros está afetando o fluxo logístico em suas fábricas no Brasil, com reflexo nas exportações. “Com a falta de componentes, as linhas de produção começam a ser paralisadas e também estamos enfrentando dificuldades na distribuição de veículos à rede de concessionárias”, ressalta a nota. A Fiat e a Ford também confirmaram impacto do protesto na produção.
Empresas de alimentos, transportadoras urbanas, indústrias já manifestaram a preocupação com a regularidade das cargas. Até o aeroporto de Brasilia teme ficar sem combustível porque os caminhões tanque com o querosene para os aviões estão parados nas rodovias.
As manifestações mobilizaram o Palácio do Planalto nesta terça-feira. Depois de reunião de urgência nesta terça-feira o governo acenou com a retirada de impostos mas os grevistas não se sensibilizaram.
A Petrobrás anunciou uma redução no preço da gasolina (2,08%) e no diesel (1,54%) já nesta quarta-feira. Mas o presidente da empresa, Pedro Parente, declarou que a redução se deve à queda do dólar e que a política de preços da companhia será mantida, seguindo as flutuações do dólar e do preço do petroleo no mercado internacional..
O presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros,José de Fonseca Lopes, declarou que os grevistas querem tirar do preço do diesel tributos como PIS/Cofins e Cide, pelo menos. S:e não forem atendidos, a situação vai se agravar:”Nesta quarta o movimento continua. O governo está falando que vai tirar a CIDE. Isso para nós não interessa. Tem que tirar do preço do diesel, além da Cide, PIS, Cofins — disse Lopes.
Ele disse temer uma radicalização da categoria: “Se o governo não se manifestar, não vai ter mais acordo. O pessoal quer fechar tudo, só vai passar carro, ônibus e ambulância. Carga viva, caminhões frigoríficos e com alimentação perecível, que estão sendo liberados hoje, não passarão. Vai faltar tudo.

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