Movimento que há cinco dias paralisa o pais é quase desconhecido

Os efeitos da greve dos caminhoneiros, que entra no seu quinto dia, dominam o noticiário, mas pouco se informa sobre o movimento em si, seus personagens, seu histórico, suas expectativas.
Duas entidades foram ouvidas até agora como lideranças dos caminhoneiros, mas as escassas declarações de seus representantes limitam-se às questão imediata da continuidade ou término da paralisação.
Não se tem idéia da representatividade dessas entidades. Muitos relatos sobre a paralisação ressaltam o caráter expontâneo da adesão dos motoristas.
A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) diz em seu site que tem 500 mil associados, dos quais 200 mil em São Paulo.
Foi fundada em 1983, para a defesa “muitas vezes incompreendida” dos caminhoneiros autônimos e, desde 2003, é filiada à Confederação Nacional dos Transportes.
Seu presidente desde a fundação, José da Fonseca Lopes, foi o primeiro representante a aparecer nos jornais falando em nome dos caminhoneiros. Limitou-se a justificar a paralisação e expor as exigências em relação ao corte de impostos.
Na quarta-feira a ABCAM convocou uma coletiva de imprensa às 17 horas em sua sede em São Paulo.  

” Associação Brasileira dos Caminhoneiros convida jornalistas e formadores de opinião para coletiva de imprensa na sede da Instituição, no dia 23 de maio, às 17h.
Na oportunidade, op presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, vai divulgar os resultados da reunião com a Casa Civil, bem como o posicionamento da categoria em relação à continuidade das paralisações dos caminhoneiros”.
O farto noticiário sobre a greve nos portais dos principais jornais nesta quinta-feira não registra a entrevista.
Na quarta-feira quem apareceu nos jornais falando em nome dos caminhoneiros foi Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores de Carga, que participou da reunião no Palácio do Planalto. Ele disse que o governo havia sido avisado há um mês sobre a paralisação.
No site da CNTA lê-se:

“Os caminhoneiros autônomos respondem pelo transporte de aproximadamente 50% dos produtos duráveis e perecíveis em todo o País. Fundamentais para a movimentação e crescimento da economia, cruzam diariamente, de norte a sul, uma malha viária de mais de um milhão e seiscentos mil km, em sua grande maioria extremamente perigosas e mal conservadas. E apesar de carregarem quase literalmente nas costas a responsabilidade pelo crescimento de parte substancial da economia nacional, enfrentam, há anos, condições de segurança precárias, cargas de trabalho elevadas, filas insanas para descarregar em portos mal estruturados, além de acumular preocupações com fretes insuficientes, seguros e manutenção caros, taxas e pedágios, entre outros.

Até muito recentemente, no entanto, a categoria dos caminhoneiros não possuía uma entidade sindical superior própria para representá-la junto ao governo federal e ao mercado, capaz de pavimentar caminhos mais justos e lutar especificamente pelos seus direitos e interesses legítimos.

Para por um fim a esse vazio de uma representação exclusiva e coerente com as necessidades dos caminhoneiros, a FENACAM – Federação Interestadual dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens, a FETRABENS – Federação dos Caminhoneiros Autônomos e Cargas em Geral do Estado de São Paulo e a FECONE – Federação Interestadual dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Cargas e Bens da Região Nordeste se uniram e fundaram, em 5 de junho de 2012, a CNTA – Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos.

A CNTA estabeleceu como princípio fundamental a representação específica e exclusiva dos interesses dos caminhoneiros autônomos, sendo totalmente desvinculada da representação de qualquer um dos demais segmentos do setor, tais como os das empresas de transporte e do transporte de passageiros.

A primeira presidência da CNTA está a cargo de Diumar Bueno, transportador rodoviário profissional com longos anos de atuação em prol da categoria: já em 1987, envolvido com as questões dos caminhoneiros, ele fundou o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Paraná – SINDICAM-PR. Em 2005, depois de anos de persistente batalha, conseguiu obter do Ministério do Trabalho a Carta Sindical da FENACAM, entidade de grau superior, com base representativa nos Estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins, entidade que ele hoje também preside.

Completam os principais cargos da entidade: Eduardo de Oliveira e Silva (Secretário-geral); Laertes José de Freitas (Tesoureiro); Norival de Almeida Silva e Carlos Roberto Dellarosa (diretores) e como membros do Conselho Fiscal Eurico Tadeu Ribeiro dos Santos, Osvaldo Reginato, José Milton de Almeida, Bernabe Antonio Parra Rodrigues e Wilton Valença Nery.

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Administrada de forma plural e colegiada por representantes de instituições filiadas, a CNT tem, em sua estrutura, três níveis decisórios. O primeiro deles é formado pelo Conselho de Representantes – constituído por 38 Federações e 5 Sindicatos Nacionais -, que é o órgão máximo deliberativo da instituição, e pelo Conselho de Ex-Presidentes, órgão deliberativo e consultivo da CNT. O segundo, por sua vez, é exercido pela Diretoria e pelo Conselho Fiscal, que têm atribuições deliberativas e consultivas. O terceiro nível é exercido pelos Executivos contratados, a quem compete o cumprimento das decisões emanadas pela Diretoria.

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