MP denuncia delegado pela farsa do "ritual satânico"

A Promotoria de Justiça Criminal de Novo Hamburgo apresentou à Justiça nesta segunda-feira, 26/03, denúncia contra o delegado de Polícia Moacir Fermino Bernardo, 67 anos, um policial civil e um informante de Fermino por falsidade documental e corrupção de testemunhas durante as investigações da morte de duas crianças, encontradas esquartejadas em setembro de 2017.
A denúncia, assinada pela promotora de Justiça Roberta Gabardo Fava, segue o indiciamento do inquérito policial da Corregedoria-Geral de Polícia.
Conforme a denúncia, o delegado inseriu declarações falsas em relatórios por três vezes, enquanto que o policial denunciado cometeu esse crime uma vez. Fermino também é denunciado por prometer a quatro pessoas a inserção no programa estadual de testemunhas (Protege), o que lhes garantiria casa, comida e remuneração, para que fizessem afirmação falsa, em depoimento.
Narrativa do ritual satânico foi fabricada
De acordo com as provas coletadas pela Corregedoria-Geral de Polícia, a narrativa que culminou no indiciamento de sete pessoas pelo esquartejamento das crianças foi fabricada pelo terceiro denunciado, informante do delegado.
Segundo a denúncia, o delegado Fermino, depois de assumir temporariamente a Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, juntou um relatório de serviço falso aos autos do inquérito policial contendo a história de que as mortes tinham ocorrido durante um ritual satânico e firmou a representação pelas prisões temporárias.
Não houve investigação de campo e apenas testemunhas corrompidas foram ouvidas, para corroborar a narrativa fictícia do informante.
Já a real motivação para o assassinato das crianças continua um  mistério sem solução.
 

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