MP pede suspensão de obras em oito municípios na Bacia do Sinos

Mais de 70 mil pessoas foram desalojadas na ultima enchente do Rio dos Sinos, no final de 2015, em cinco municípios gaúchos: Campo Bom, São Leopoldo, Esteio, Novo Hamburgo e Canoas. Elas viviam na área inundável do Rio dos Sinos.
Nesta terça-feira, o presidente do Comitesinos, Adolfo Klein, lembrou o problema, em audiência pública na Assembleia Legislativa.
“Na época da seca, ninguém lembra o que acontece quando chove”, disse Klein. Lembrou que o problema continua, agravado: “É indigno chamar de moradia uma casa que inunda a cada cheia, e a ocupação nessa área está ficando muito intensa.”
Só o custo direto da Defesa Civil na enchente de 2013 em São Leopoldo foi de R$13 milhões. Segundo Klein, a estimativa é que as perdas totais na região tenham atingido R$ 50 milhões por município, “sem contar os gastos de quem precisou substituir tudo dentro de casa”.
Para evitar prejuízos maiores, e preservar a planície, a recomendação do Ministério Público Federal é suspender o licenciamento de empreendimentos e obras na área de inundação do Sinos no seu trecho inferior, que alcança oito municípios – Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Nova Santa Rita, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga.
A proibição vigoraria, pelo menos, até a conclusão de estudo técnico em andamento na Metroplan. 
Na mesa, Adolfo Klein do ComitesinosNa audiência pública da comissão de Assuntos Municipais da AL, nesta terça-feira (9), o diretor-presidente da Metroplan, Pedro Bitsch Neto, reafirmou que deverá estar pronto até dezembro estudo técnico sobre o Arroio Feijó, na divisa de Porto Alegre com Alvorada, e Eldorado do Sul, encerrando na metade de 2017 a avaliação do Rio Gravataí e, no final do ano, o Rio dos Sinos “É um período de cautela”, resumiu.
Com custo de R$ 45 milhões, o estudo busca apontar as intervenções necessárias nas planícies de inundação, que são as áreas alagadas nos períodos de cheia dos rios. A Bacia do Rio dos Sinos abrange 1,3 milhão de pessoas, corresponde a 1,4% do território gaúcho e responde por 20,6% do PIB.
Do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, o promotor Ricardo Rodrigues, que atua na Promotoria Regional da Bacia do Sinos, explicou os procedimentos adotados para os municípios observarem o zoneamento das áreas inundáveis, até que a Metroplan finalize o Estudo de Alternativas Contra Enchentes. Isso submete os planos diretores dos municípios e o Estatuto da Cidade à Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, explicou Rodrigues. “A Defesa Civil modifica a urbanização dos municípios, criando uniformidade regional”, o que justifica a recomendação de suspensão de licitações para a região.
Um dos instrumentos usados no estudo é o mapeamento da planície de inundação do Sinos e seus formadores, de Sapucaia do Sul a Caraá, elaborado pelo Comitesinos. “Não temos notícia de inciativa semelhante em outro lugar do país”, conta Klein.
No entorno da rodovia 448, que cruza essa área, por exemplo, o próprio EIA-Rima da obra determina que a área de alagamento deve ficar livre para o escoamento da água. “O desafio é grande”, alerta Klein. “O que ninguém quer ver é que a especulação imobiliária está gerando um conflito entre o espaço da água e a ocupação humana. Mas a água só faz três coisas: contorna, passa por cima ou derruba, e não há como impedir isso”
O deputado Tarcísio Zimmermann sugeriu que a Comissão de Assuntos Municipais promova em duas semanas encontro ampliado com as entidades envolvidas com a questão.
(Com informações da AL)

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