
Os jovens se reuniam na fonte, que está em obras.
Carla Ruas
O clima no Centro Comercial Nova Olaria tem sido tenso aos domingos. Os jovens freqüentadores do espaço, muitos pertencentes a comunidade GLS, reclamam de preconceito e de um comportamento ostensivo por parte da segurança. A direção do shopping defende que o procedimento é uma tentativa de manter a ordem e os bons costumes, e que já está em contato com a comunidade homossexual para resolver a situação pacificamente.
O conflito iniciou no domingo, dia 13, quando o número de guardas do local foi triplicado, e o controle sobre os jovens foi intenso no período da tarde. Uma semana depois, cerca de 10 seguranças permaneceram na frente do centro comercial, em conjunto com a Brigada Militar. “Sou quase um rato do Olaria, de tanto tempo que passo lá, e nunca tinha visto isso antes”, conta Paulo Schmidt.
Ele afirma que os guardas impediam o acesso aos banheiros e faziam comentários preconceituosos. Além disso, não deixavam que eles ficassem na fonte, ponto de encontro do grupo: “Eles dizem que está em obras, mas esta obra está durando demais”, desconfia.
O síndico do Olaria, Luciano Herman, afirma que o procedimento dos seguranças foi de controlar o público, de cerca de 300 pessoas nos domingos. “Não ocorreu nenhuma discriminação, até pela história do Olaria, que sempre foi local de encontro de homossexuais”. Ele afirma, no entanto, que nos domingos o grupo destrói o patrimônio privado e constrange os clientes das lojas.
”Nós perdemos público devido ao comportamento inadequado de alguns jovens. Já houve exposição de genitália e casos de prática sexual nos banheiros”. Herman conta que alguns dos freqüentadores quebraram vitrines, mesas e vasos de flores. “Sei que são fatos isolados, mas quem paga as despesas no final são os consumidores do shopping”, completa.
O coordenador do Nuances, Célio Golin, entidade que defende a livre expressão sexual, acredita que se trata de preconceito social e exclusão. “Os gays não se inibem de se abraçar e se beijar, e acho que isso incomodou os proprietários e os lojistas. Predominou mais uma vez a idéia de que uma única estética é aceita”, argumenta. O Nuances colocou em seu site um manifesto contra o estabelecimento, e promete estar presente no próximo domingo, para denunciar a “política homofóbica”.
Uma outra ONG de Porto Alegre que luta pelos direitos sexuais, a “Somos”, está buscando a solução através do diálogo. O seu coordenador, Gustavo Bernardes, já está em contato com o síndico Herman, para resolver o impasse: “Pedimos a retirada dos seguranças, e em troca vamos orientar o pessoal para preservar o espaço”. Herman admite que a ONG irá orientar os seus seguranças em como fazer uma abordagem mais pacífica. Também está em negociação a realização de atividades no centro comercial aos domingos, para mostrar que se trata de um local tolerante.

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