Dos cinco personagens a bordo do bimotor que caiu em Paraty, apenas dois têm uma motivação clara para estarem onde estavam: o piloto Osmar Rodrigues, que dirigia o avião, e a professora Maria Ilda Panas, que acompanhava a filha.
O dono do avião, o empresário Carlos Alberto Filgueiras, de 69 anos, aparentemente estava ali apenas para desfrutar um fim de semana em sua mansão na praia com um amigo. Agora sabe-se que havia algo mais.
“Não fosse a tragédia, não saberíamos que um ministro do STF cultivava amizade íntima com um empresário que tentou travar uma ação no STF. A mansão de Carlos Alberto Filgueiras, para onde Teori ia naquela tarde, está no centro de uma acusação de crime ambiental”, escreveu o jornalista Kiko Nogueira, do DCM.
“Filgueiras era sócio do BTG Pactual na empresa Forte Mar Empreendimentos e Participações, em cujo nome está o prédio ocupado pelo hotel Emiliano, em Copacabana, no Rio”.
“Como relator da Lava Jato, Teori libertou André Esteves, sócio do BTG, em dezembro de 2015, determinando sua prisão domiciliar. Em abril, permitiu que ele voltasse a trabalhar”, diz Nogueira.
Um jurista ouvido pelo DCM disse que “Teori Zavascki não era passível de ser corrompido”. Mas admitiu que, eventualmente, o interessado em fazer tráfico de influência não precisa negociar nada explicitamente. “Basta contar que foi com Teori para a praia”, afirma.
A presença de Maira Panas, de 23 anos, no avião, foi explicada numa nota da empresa de Filgueiras divulgada logo depois do desastre. Ela seria massoterapeuta e acompanhava o empresário que passava por uma crise ciática.
O jornal O Globo, que ouviu amigas da jovem, disse que ela era estudante de fisioterapia. Por medo, talvez, de incorrer em preconceito, ninguém questionou esse ponto. Mas na página de Maira no Facebook há inúmeras fotos e postagens sobre o que parecia ser sua paixão, a dança, inclusive um show de dança do ventre na Lanterna, casa noturna da Vila Madalena. Nenhuma referência, porém, sobre sua condição de massoterapeuta ou fisioterapeuta…
A jornalista Luiza Pastor, amiga de muitos anos de Filgueiras, escreveu que ele “era um homem muito sozinho, embora vivesse rodeado de belas mulheres, daquele tipo que se dispõe a ser mero enfeite”. Ele fazia aquele trajeto toda a semana e o avião, segundo a jornalista, era seu brinquedo preferido e ele tinha “obsessão por segurança”.
Por fim, o ministro Teori Zavascki. Antecipou as férias, que passou no litoral gaúcho com a família. Na antevéspera jantou com amigos num restaurante em Porto Alegre. Iria no dia seguinte para São Paulo e daí para Brasília, ainda não se esclareceu bem.
A viagem a Paraty não constava dos registros que a equipe de segurança do STF mantém a respeito da movimentação dos ministros.(Esta informação não foi confirmada).
Um dos funcionários do Campo de Marte, aeroporto militar, de onde partiu o vôo, relatou que o avião esperou por ele cerca de uma hora.
Ironicamente, só depois de morto Teori Zavascki, que faria 70 anos em agosto de 2017, teve sua profícua carreira de homem público conhecida.
Embora fosse o homem que tinha nas mãos o mais importante processo já movido contra a corrupção no Brasil, uma bomba atômica política, era praticamente um desconhecido, o que diz bastante de seu temperamento reservado, mas diz também da falta de repórteres.
Depois da tragédia é que foram atrás dos parentes, dos amigos, dos colegas para mostrar alguma coisa do ministro. Resultou um perfil positivo, de um funcionário público, um magistrado exemplar.
Mas até agora não foram esclarecidos dados importantes, não tão positivos, mas talvez mais decisivos no que diz respeito às investigações.

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