Ocupação do IE lança manifesto em apoio à greve dos professores

Os estudantes que ocupam a Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, aderiram ao movimento grevista dos professores e profissionais de educação e garantiram que só desocuparão a escola depois de terem todas suas reivindicações atendidas. O grupo lançou um comunicado oficial na noite desta quinta-feira.
Os principais ítens da pauta da ocupação do IE são o atraso no repasse das verbas de autonomia financeira das escolas, a privatização do sistema de ensino público, o parcelamento dos salários dos professores e falta de segurança nos arredores da escola.
Os alunos questionam ainda o modelo de organização interna das escolas, que, segundo eles, não permite o diálogo com o todo da comunidade escolar na tomada de decisões. “Isso se traduz em um sistema escolar que não vê o aluno como cidadão e/ou atuante politico”, diz o texto.
Já são mais de 100 escolas ocupadas no Rio Grande do Sul, segundo a página do facebook Ocupa Tudo RS.
Confira a íntegra do comunicado:
COMUNICADO OFICIAL.
Nós, alunos do Instituto de Educação General Flores da Cunha,que diante da conjuntura de desmonte e flagelo da educação pública no estado e no país, decidimos por aderir a greve dos profissionais em educação apresentaremos por meio deste manifesto as pautas que levaram à ocupação.
Atentamos sobre os fatores mais prejudiciais ao ensino público e, especificamente, ao Instituto de Educação os seguintes problemas:
I O atraso na renda de autonomia financeira da escola;
II O processo de privatização do sistema de ensino publico;
III O parcelamento dos salários dos professores e a falta de segurança nos arredores da escola.
Justificativa:
O atraso na verba de autonomia às escolas fere o bem-estar dos alunos, pois ocasiona, por exemplo, a falta de materiais básicos de higiene e a precarização da merenda. Esses fatores influenciam diretamente na área pedagógica, visto que os alunos estão sendo privados de condições essenciais no funcionamento de uma instituição de ensino.
A PL 44/16 concede, tanto a pessoas físicas quanto às empresas, a divulgação de seus produtos dentro do ambiente escolar, desde que estes mantenham o funcionamento da escola. Desta forma, mercantiliza o ensino ao tratar o estudante como moeda de troca para fins publicitários.
Tememos, também, que essa parceria entre público/privado permita que as empresas influenciem nos fazeres pedagógicos dos professores, como ocorreu no Chile, lesando a liberdade de aprendizagem do aluno.
Entendemos o parcelamento dos salários dos funcionários públicos como um desrespeito absurdo com os professores, pois esses são o alicerce do sistema educacional e devem, por direito, serem remunerados adequadamente. A falta de segurança nos arredores do Instituto de Educação é um problema que incide sobre a escola há muitos anos: os constantes assaltos e assédios na região prejudicam a chegada e partida diária dos alunos da escola, pois estes, muitas vezes crianças, ficam totalmente a mercê da violência.
Portanto, ocupamos o Instituto em decorrência do cansaço diário destes desrespeitos do governo para com o ensino. Questionamos, também, o tipo de organização interna nas escolas, que não permite o dialogo com o resto da comunidade escolar quanto às tomadas de decisões. Isso se traduz em um sistema escolar que não vê o aluno como cidadão e/ou atuante politico.
Ansiamos por uma mudança profunda na sociedade e, para isso, a educação precisa ser qualificada imediatamente. Sendo assim, é por respeito à educação e ao Instituto de Educação General Flores da Cunha que tornamos oficial a ocupação dos alunos!
Para amparar os mesmos promoveremos, no ambiente ocupado, atividades educacionais como oficinas, palestras, debates e aulas preparatórias voltadas ao ENEM e vestibular. Esclareceremos já que a manifestação só será suspensa quando todas nossas pautas forem cumpridas!

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