Ocupação Lanceiros Negros enfrenta nova ordem de reintegração de posse

As famílias que ocupam o prédio localizado na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, no Centro de Porto Alegre, se mobilizam para enfrentar mais uma reintegração de posse.
Já é pelo menos a terceira ordem de despejo em um ano e sete meses de ocupação do imóvel (desde novembro de 2015).
A Justiça expediu nesta segunda-feira, 12, ordem de reintegração de posse do imóvel, pertencente ao Governo do Estado. Desde que as famílias ocuparam o prédio.
A decisão da 7ª Vara da Fazenda Público do Foro Central orienta que a ordem seja cumprida fora do horário comercial, em final de semana ou feriado, “evitando ao máximo o transtorno ao trânsito de veículos e funcionamento habitual da cidade”, e autoriza o “uso da força policial, caso necessário.” Há também a orientação ao acompanhamento pelo Conselho Tutelar, em função dos menores.
Os integrantes da ocupação prometem resistir. “Tem criança, gestante, recém nascido. É uma barbaridade. Inclusive familiares de moradores da ocupação tiveram de vir para cá em função das chuvas. As pessoas que mais precisam, quando conseguem um teto, são despejadas”, afirma Priscila Voigt, integrante do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas). Ela defende que, para a desocupação do prédio, o Estado deveria realocar as famílias.

Priscila, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas/Ramiro Furquim

Com o feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira, os moradores estão em alerta. “Estamos esperando hoje, quarta, no feriado, porque a reintegração pode acontecer a qualquer momento”, afirma Priscila.
Nesta terça, a ocupação realiza assembleia com movimentos apoiadores e na quarta-feira acontece audiência pública sobre a ocupação na Assembleia Legislativa.
Até o início da tarde, os moradores da ocupação não haviam sido notificados da ordem de reintegração de posse. No local, residem cerca de 70 famílias.
No imóvel residem muitas crianças/Ramiro Furquim

A Procuradoria-Geral do Estado afirma que tentou a conciliação e não obteve êxito. Segundo a PGE, foi iniciada uma reforma no imóvel para que abrigasse uma secretaria de Estado evitando o pagamento mensal de um aluguel de R$ 60 mil.

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