Opção Braskem: “O prazo é 31 de março”


Alexandrino diz que o
plano da Braskem é tornar-se  uma das 10 maiores petroquímicas do mundo até 2012(Foto: Naira Hofmeister)

Elmar Bones e Sérgio Lagranha

JÁ – Qual sua avaliação da petroquímica no RS?
Alexandrino de Alencar – A petroquímica não tem a visibilidade que deveria. Por isso, naquela audiência pública agradeci ao Sindipolo por ter colocado outdoors na cidade, para as pessoas saberem que isso existe, porque parece que é um negócio do além. No entanto, é de extrema importância. Uma das condições para a GM ter vindo para o Estado é que tem uma petroquímica. A Ford foi para  a Bahia também pela petroquímica. A Monsanto, a Continental Pneus foram para a Bahia. Temos que olhar a petroquímica para frente e não para atrás.

JÁ – É a inserção no mercado mundial?
Alexandrino – Os mercados são globalizados. Se não tivermos um posicionamento internacional não vamos ser competitivos num setor como esse, de capital intensivo. A Braskem tem que competir, com argentino, coreano, norte-americano…

JÁ – O sindicato discute salário, emprego, concentração, temas internos. As empresas, questões globais…
Alexandrino – A discussão é a seguinte: a petroquímica precisa de três coisas fundamentais. Primeiro matéria-prima competitiva. Como o Brasil produz e importa nafta, não é tão competitivo como a Arábia Saudita, Bolívia, Venezuela, que têm matéria-prima barata. Neste campo temos que disputar fortemente e necessitamos de escala de produção. O custo a mais de matéria-prima é compensado pela escala. O segundo ponto é o capital. No Brasil, o custo do dinheiro ainda é extremamente alto. O terceiro fator é a mão-de-obra. Na discussão com o Sindipolo, falamos a mesma linguagem. A mão-de-obra especializada é fundamental. No Sul temos uma mão-de-obra de excelente qualidade e que será preservada. O problema é que o sindicato nos pede garantia de emprego. Nem nós que trabalhamos na Braskem temos essa garantia. Mostrei nas audiências públicas que na formação da Braskem houve enxugamento de quadros por sobreposições de funções, mas hoje temos muito mais funcionários porque a empresa cresceu. Estamos contratando.

JÁ – O sindicato faz uma avaliação bastante negativa da Braskem como empregadora. A que se deve isso?
Alexandrino – Pela mudança de relacionamento com nosso funcionário. Temos uma política forte de remuneração, e um ponto muito importante denominado Tecnologia Empresarial Odebrecht, uma mensuração, um planejamento anual do trabalho, metas a serem cumpridas. Isso muda a relação. Não é simplesmente questionar se é bom ou ruim, mas o resultado final do trabalho. Em três anos a Braskem tornou-se uma das melhores empresas para se trabalhar. O índice de satisfação dos funcionários aumentou. Temos uma política de treinamento forte. Nossos índices de saúde, segurança e meio ambiente seguem padrões internacionais. Talvez seja necessário mais diálogo com o sindicato.

JÁ – As audiências públicas possibilitaram uma certa aproximação…
Alexandrino – As reuniões continuam. Nosso posicionamento é pela busca da competitividade. No Rio Grande do Sul tem que ter esse alinhamento, mas é uma questão societária. A Petrobrás está entendendo isso como um novo approach societário. Esse movimento vai provocar um saldo positivo para o Estado. Conseguimos, junto com a terceira geração, colocar a petroquímica e o plástico no RS Competitivo do Governo do Estado, reduzindo o ICMS de 17% para 12%. É um movimento liderado pela Braskem, com a Copesul, apostando que a redução vai trazer competitividade para indústrias de terceira geração. É uma mexida estrutural e não pontual.

O controle do Pólo Petroquímico de Triunfo começa a ser definido em março (Divulgação/JÁ)

JÁ – O Estado nunca conseguiu ter uma terceira geração como previa…
Alexandrino – Como devia. O segundo Estado maior transformador de plásticos é Santa Catarina. Nosso trabalho foi mostrar ao governador Rigotto e ao secretário Ponte, que existem dois movimentos. Um, dar competitividade aos que já estão no mercado. Outro, que ainda não estou vendo, de atração de mais empresas da terceira geração, como o Rio de Janeiro está fazendo. Mas acho que a redução do ICMS já é um início.

JÁ – Como está a avaliação dos ativos, para o negócio com a Petrobrás?
Alexandrino – Dois bancos franceses já estão trabalhando. Um indicado pela Braskem, outro pela Petrobrás.

JÁ – É verdade que os bancos consideraram curto o prazo, até 31 de março, para essa avaliação?
Alexandrino – Não. Isso foi em relação ao prazo inicial, de dezembro, mas no de março não. As reuniões estão acontecendo, já tem data-room das empresas envolvidas com dados disponíveis. O processo está andando.

JÁ – No que vai resultar essa parceria com a Petrobrás?
Alexandrino
– Nosso plano é nos tornarmos até 2012 uma das 10 maiores petroquímicas do mundo em valor de mercado. Nosso cálculo é de 12 bilhões de dólares. Precisamos crescer, construir fábricas novas, ativos novos.
Está em curso um projeto de internacionalização, envolvendo projetos na Venezuela, Bolívia. A Petroquisa quer tornar-se no aspecto societário um acionista relevante. Para isso, existirão acordos de acionistas que permitirão que a Petrobrás tenha participação relevante.

JÁ – Além de ser “minoritário relevante”, a Petrobrás reivindica também uma gestão compartilhada…
Alexandrino – Essa é a grande discussão. Transparência corporativa representa ter um Conselho atuante e uma diretoria executiva agindo em alinhamento às orientações do Conselho. Então, o que é gestão compartilhada? É você ter uma participação relevante no Conselho. O executivo faz o dia-a-dia da empresa. Até hoje todas decisões do Conselho da Brasdem foram unânimes. E a Petroquisa senta no Conselho da Braskem. O importante para a empresa é a questão estratégica. O que mata uma empresa não é o operacional, mas o estratégico. Outra coisa, como a Braskem é uma empresa cotada na Bovespa, em Nova Iorque e Madri, nossa radiografia está toda no site. Não temos o que esconder. É que somos mais ativos do que nossa concorrência.

JÁ – Qual o calendário até 31 de março? Você está tendo encontros com formadores de opinião. Que tipo de resistência tem encontrado?
Alexandrino – Primeiro é o pouco conhecimento da petroquímica. A terceira geração gaúcha, que deveria ser a vitrine, não é tão forte. A discussão deveria ser desenvolvimento de mercado. Há preocupação com  emprego, mas as pessoas acabam entendendo. Na audiência pública, dissemos que o salário médio é R$ 5 mil, os sindicalistas duvidaram. Ligamos na hora para São Paulo e deram o valor exato: R$ 4.830. Hoje já passou dos R$ 5 mil. Tem também a discussão de como ficará a equação societária final. Ninguém sabe, vai depender dos envolvidos.

JÁ – Essa negociação corre em paralelo?
Alexandrino – Não, hoje a concentração é no processo de avaliação. Depois entra a equação societária.

Leia a entrevista na íntegra no jornal JÁ Porto Alegre, que está nas bancas

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