“Fomos patrolados”, diz o presidente do Sindipolo
Passava das onze horas da noite quando a informação circulou ontem, depois de um dia inteiro de grande expectativa. A Petrobras, maior estatal brasileira, já tinha pronto o “Fato Relevante” que vai encaminhar nesta sexta-feira (30) à Comissão de Valores Mobiliários, apontando os ativos que pretende transferir à Braskem, maior empresa privada do setor petroquímico no País.
Por trás da linguagem cifrada do economês, está uma decisão que vai dar ao grupo Odebrecht, controlador da Braskem, a liderança da petroquímica brasileira e abre caminho para que a empresa se torne uma das maiores do mundo no setor.
O Fato Relevante publicado nos jornais desta sexta-feira (30) diz que foi outurgada à Petroquisa uma opção de aumentar sua participação no capital votante da Braskem para até 30%, através da subscrição de novas ações ordinárias (com direito a voto).
A Odebrecht, por sua vez, aceitou os ativos indicados pela Petroquisa para fins de aporte na Braskem. São eles: 15,63% do capital total da Copesul; 85% do capital total da Petroquímica Triunfo e 40% da Petroquímica Paulínia, empresa que tem por objetivo a implantação de uma unidade de polipropileno. O prazo limite para o exercício da Opção passou de 31 de dezembro de 2005 para 31 de março de 2006.
A Braskem já controla a central de matérias primas do pólo de Camaçari na Bahia, o maior do País. Agora, com os 15% que a Petrobras tem na Copesul, poderá ficar também com o controle do Pólo Petroquímico de Triunfo. Hoje ela divide esse controle com a Ipiranga, tendo cada uma cerca de 30% das ações com direito a voto.
A troca de ativos, nos termos em que será proposta, dará também à Braskem o controle da Petroquímica Triunfo, que hoje pertence quase integralmente à Petrobras, e da Petroquímica Paulínia constituída no início de setembro e na qual a Petrobrás tem 40% e a Braskem 60% do capital votante.
Embora esperada a decisão da Petrobras causou grande impacto no Rio Grande do Sul. “Fomos patrolados”, disse Eitor Rodrigues, presidente do Sindipolo/RS, que tem promovido manifestações de protesto contra o possível controle da Copesul pela Braskem.
Ainda na terça-feira, no Rio de Janeiro, a presidente da Petroquisa, Maria da Graça Foster, deu sinais de que poderia haver adiamento, ao afirmar que o assunto ainda estava em discussão e que não havia convicção de que o negócio seria vantajoso para a estatal. Esse fato reforça a hipótese levantada pelo sindicato de que não há consenso no governo quanto a essa decisão da Petrobrás.
Assunto será discutido em audiência pública
As negociações entre a Petrobras e a Braskem será o tema de uma audiência pública marcada para a próxima quarta-feira, dia 5 de outubro, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para discutir o negócio, que terá grandes implicações no pólo de Triunfo.
A reunião conjunta inicia às 9h na sala da Comissão de Economia e Desenvolvimento, com a participação da Comissão de Serviços Públicos e da Comissão de Participação Legislativa e Popular.
Em Brasília, o deputado Tarcísio Zimmermann informou que já está acertada também uma audiência pública na Comissão de Serviços Públicos da Câmara dos Deputados com a mesma finalidade. A data ainda não foi marcada, mas será nos primeiros dias de outubro.
Ontem em Porto Alegre, em meio à expectativa pela decisão, o Sindipolo promoveu novas manifestações de protesto contra o acordo entre Petrobrás e Braskem. Na Esquina Democrática, no centro da capital gaúcha, os manifestantes distribuíram informativos à população explicando as possíveis conseqüências caso o negócio venha a ser fechado. “Hoje praticamente tudo o que você usa tem produtos químicos. Por isso, decisões envolvendo esse setor terão reflexos diretos no seu bolso”, advertia o panfleto. Com o apoio de um carro de som, os líderes do movimento chamavam a atenção do povo para a causa: “Se o negócio se realizar, mais de 80% da indústria petroquímica nacional vai se concentrar nas mãos de um grupo privado”, disse Carlos Eitor Rodrigues, presidente do Sindipolo.
Apoiavam a manifestação trabalhadores ligados à CUT, ao CPERS e a diversas outras entidades sindicais, como os metalúrgicos, petroleiros e químicos.
Segundo Eitor Rodrigues os protestos vão se intensificar nos próximos dias. “Agora vamos inclusive questionar a lisura desse negócio, em que uma empresa pública claramente beneficia um grupo privado”.
Petrobras oferece ações da Copesul à Braskem
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