Pobre Fundeb…

Silo Meireles, diretor da Editora Primeira Impressão; engenheiro industrial com extensão na Universidade de Paris

O presidente se aliou de forma definitiva ao MEC e passou a reclamar do Congresso uma rápida aprovação do projeto que cria o Fundeb, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, na esperança que assim resolva os problemas da nossa educação.

Mas o fracasso do ensino público não parece ser fruto da escassez de recursos. Investindo 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, gastamos mais que países como Canadá (5,2%), Estados Unidos (4,8%), Austrália (4,6%) e Coréia (4,3%), para citar alguns.
Não é preciso meditar muito sobre os indicadores que são periodicamente publicados, nem usar de uma dose exagerada de perspicácia, para concluir que o repetido fracasso escolar das nossas crianças precisa ser explicado a partir de alguns fatores sistematicamente ignorados.

A forma de ensinar a ler oficialmente patrocinada pelo MEC está na origem de tudo. O Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a Unesco e o Instituto Paulo Montenegro, não se cansam de mostrar isto.
Se 97% das nossas crianças estão na escola e 33% delas são reprovadas ou desistem na 1ª série, 52% da 5ª não sabem interpretar um texto e 74% dos brasileiros entre 15 a 64 anos não entendem o que lêem, é óbvio que há algo errado com o ensino da leitura no Brasil.
Essa multidão de crianças sem domínio da leitura e da escrita, avançando através das séries à custa de promoções continuadas, ciclos pedagógicos e classes de aceleração, implica certamente num absurdo desperdício de recursos, que está muito longe de poder ser calculado.

Está claro para todos que é preciso garantir um fluxo de recursos capaz de financiar o ensino público básico, mas é preciso ficar claro também que é indispensável fixar padrões mínimos de qualidade que devem ser perseguidos por todas as escolas públicas de todo o país.
Só um sistema de avaliação universalizada, desde a primeira série do ensino fundamental, como é feito nos países que levam a sua educação básica a sério, permite identificar os misteriosos e indesejáveis bolsões de ineficácia. Enquanto isso, não haverá Fundeb que resolva.

Comentários

Deixe uma resposta