RAMIRO FURQUIM
A restauração da Ponte de Pedra, símbolo da origem açoriana de Porto Alegre, é mais uma obra municipal que vai atrasar.
A previsão, feita no anúncio da reforma, era entregar o monumento com o entorno revitalizado. Seria um “presente” para a cidade no fim do mandato do prefeito José Fortunati (PDT), segundo ele mesmo.

O restauro da ponte – parte mais demorada, devido ao caráter artesanal, minucioso e especializado – está em finalização: o reboco especial já é aplicado na estrutura reformada e reforçada.
A pista do monumento está impermeabilizada, pronta para a recolocação das pedras mapeadas, a próxima etapa. No site da Prefeitura de Porto Alegre, não existe nenhum link com detalhes do projeto, como os números da área total de pedras mapeadas.
Segundo engenheiro consultado, um bom calceteiro pavimenta em média até 35m2 mapeados por dia. O que retardará a entrega à comunidade é a conclusão do espelho d’água.
Até a sexta-feira (20), não havia trabalho iniciado fora do canteiro montado em volta da Ponte de Pedra. No projeto, o lago todo tem dois níveis. O lado do monumento, será rebaixado em 1,5m e visa deixar as fundações da ponte à mostra, da mesma forma de quando inaugurada.
”Prazo de entrega é a pergunta a não ser feita, porque [a obra] depende muito do tempo (clima)”, diz a arquiteta Maria Lucia, da Arquium.

Já o lado do viaduto da Borges de Medeiros não pode ser rebaixado por causa de cabeamentos subterrâneos abaixo do leito. Os níveis serão ligados por bombeamento de chafarizes e fonte.
A reurbanização do entorno, terá construção de escadarias “arquibancadas”; assentamento de talude em torno de todo lago; abertura de passeios; calçamento com acessibilidade; e iluminação cênica.
A obra, anunciada dia 19 de janeiro pelo prefeito Fortunati, substituiu e deixou sem recursos a revitalização do mirante do morro Santa Tereza, o Belvedere Ruy Ramos.
Orçada em R$587,9mil, a obra é contrapartida do Grupo Zaffari como pagamento de área pública junto ao novo Bourbon shopping, a ser construído no antigo campo de futebol do Força e Luz, no bairro Santa Cecília.
A Ponte dos Açores é tombada patrimônio histórico do município desde 1979. Se tornou monumento e ganhou o espelho d’água, desde que perdeu a utilidade com a canalização do Riacho, hoje arroio Dilúvio.
A ponte começou a ser construída em 1842, foi aberta dois anos depois do início da construção, mas só inaugurada 12 anos depois.
Substituiu antiga ponte de madeira, única ligação do Centro Histórico para o Arraial do Menino Deus, constantemente avariada pelas enchentes. Mão de obra escrava levantou a Ponte de Pedra, com arenito trazido da cidade de Taquara, e granito e tijolos de Porto Alegre. É dos testemunhos do século XIX que restam na cidade, junto com o prédio da antiga Assembléia Provincial, hoje anexo do Palácio Piratini.

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