“As regras vão mudar!” Com esta frase, um funcionário da Prefeitura interrompeu a apresentação do grupo Cartas na Rua, na Feira Ecológica da Redenção, neste sábado, 21. Os artistas, que se apresentam na feira há cinco meses, estavam na terceira música quando o representante do poder municipal chegou.
Ele queria nome, telefone e endereço dos artistas e disse que as regras iriam mudar, que os artistas seriam identificados, os espaços para a arte, limitados e demarcados, e haveria um rodízio entre os grupos.
“Isso é inviável para quem vive de tocar na rua. E se chover no sábado? Além disso, a gente tem que ter a liberdade de escolher onde vai tocar”, defendeu o músico Jean Kartabil, integrante do Cartas na Rua.
Em nota publicada na sua página do facebook, a banda defendeu que entre os artistas de rua funciona a autogestão e que qualquer tentativa de regulamentação seria uma arbitrariedade. “Nunca houve disputa entre os músicos. Esses dias, o som de outra banda estava alto e atrapalhava nossa apresentação. Fomos conversar e eles baixaram sem problemas”, afirma Jean.
A presença de artistas de rua já é uma característica da feira de sábado na José Bonifácio. O agente da prefeitura não deixou claro de onde vinha a reclamação e se a abordagem teria relação com a minuta de decreto do gabinete do vice-prefeito, Sebastião Melo, que regulamenta os eventos de rua e cria empecilhos para os artistas.
O vazamento da minuta, na semana passada, gerou mobilização dos artistas. Para esta segunda-feira, foi convocada uma Assembléia Geral dos Artistas de Rua, a partir das 19h, na superintendência do Iphan no Rio Grande do Sul. Na ocasião será lançado o Manifesto Pelo Direito ao Uso do Espaço Público.

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