Após um ano paralisadas por dívidas com as empresas responsáveis pelos trabalhos, as “obras da Copa” em Porto Alegre podem ser retomadas em breve. A Prefeitura obteve o aval da Secretaria do Tesouro Nacional para a liberação do empréstimo de R$ 120 milhões junto ao Banrisul para p\agamento de dívidas e reinício das obras.
A assinatura do contrato com a instituição financeira deve ocorrer ainda neste mês. “Vencemos a etapa mais importante”, diz o secretário de Planejamento e Gestão, José Alfredo Parode.
O Executivo Municipal terá prazo de carência de dois anos e precisará pagar a dívida em até oito anos. Está previsto o ingresso de R$ 84,4 milhões em 2018 e outros R$ 35,5 milhões em 2019.
Conforme a prefeitura, os recursos serão usados para a quitação de dívidas com as empresas, na ordem de R$ 45 milhões, e destinados ao financiamento da contrapartida das obras de mobilidade urbana, para a execução de projetos. As prioridades devem ser as obras das trincheira da Anita Garibaldi e da Ceará, que ficariam prontas com mais três meses de trabalho, e ainda a retomada dos trabalhos de duplicação da Avenida Tronco e os pavimento dos corredores de ônibus na João Pessoa, Bento Gonçalves e Protásio Alves.
Em junho de 2017, a Câmara de Vereadores aprovou o projeto de lei que autorizava a prefeitura a financiar os recursos. A lei foi sancionada em agosto. Em setembro, a prefeitura escolheu o Banrisul como parceiro financeiro para garantir a conclusão dos trabalhos. A análise da documentação feita pelo banco foi concluída em dezembro, quando a STN foi comunicada das intenções da prefeitura em buscar o empréstimo.
Obras estão paralisadas desde janeiro de 2017
Das obras para a Copa de 2014, seis foram concluídas, nove estão em andamento e duas ainda não iniciaram – trincheira da Plínio Brasil Milano e segundo trecho da Voluntários da Pátria. Dos R$ 640 milhões, custo total das obras, já foram pagos R$ 359 milhões.
O caso da Tronco é mais complexo. É a obra iniciada menos avançada, com cerca de 30%, e a previsão da prefeitura é que dure mais dois anos, a partir da retomada. Já foram pagos R$ 38 milhões, faltando para a conclusão mais R$ 112 milhões.
Desapropriações e reassentamentos
Além da situação financeira, algumas obras esbarram em questões jurídicas. No caso da Tronco, a dificuldade é em relação ao reassentamento das famílias que têm suas casas no traçado previsto da avenida. Segundo a prefeitura, das 1.525 famílias que precisariam ser removidas em função das obras, hoje restam 193. Há ainda casos de famílias que não querem deixar o local.
Na Voluntários da Pátria faltou dinheiro para pagar as desapropriações. O primeiro trecho da avenida, do viaduto da Conceição até a Ramiro Barcelos, já está praticamente pronto, 94% concluído. Porém, no segundo trecho, da Ramiro até a Sertório, as obras ainda nem começaram. A prefeitura afirma que os R$ 20 milhões previstos para as desapropriações foram gastos no primeiro trecho. O valor estimado para a obra do segundo trecho é de R$ 43 milhões.
Está em tramitação ainda um pedido da prefeitura que autoriza a Caixa Econômica Federal a redirecionar R$ 115,07 milhões de um total de R$ 249,4 milhões destinados a obras em corredores de ônibus para as demais intervenções de mobilidade.
Já estão concluídos os trabalhos de duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira-Rio), um trecho do corredor de ônibus da avenida Padre Cacique, a construção dos viadutos Pinheiro Borda, Júlio de Castilhos e Bento Gonçalves, e a qualificação do entorno do estádio Beira-Rio.
Estão paradas a execução das trincheiras da rua Anita Garibaldi e das avenidas Cristóvão Colombo e Ceará, a duplicação do trecho da avenida Voluntários da Pátria entre a rodoviária e a rua Ramiro Barcelos, o prolongamento da avenida Severo Dullius, a pavimentação dos corredores de BRT das avenidas Protásio Alves, Bento Gonçalves e de um trecho da João Pessoa, e a duplicação da avenida Tronco.
Duas obras nem começaram, a construção da trincheira da avenida Plínio Brasil Milano e a duplicação da Voluntários da Pátria entre a Ramiro Barcelos e a avenida Sertório.

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