Prisão de delegado expõe envolvimento de policiais com o crime

Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público prendeu, na manhã desta terça-feira, um delegado da Polícia Civil e um escrivão aposentado.
O delegado Omar Abud, da 17ª Delegacia de Polícia Civil, e o Comissário de Polícia aposentado Luiz Armindo de Mello Gonçalves são suspeitos de financiar e oferecer proteção a uma quadrilha de receptação e roubo de carga com atuação na região metropolitana.
Eles são investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e organização criminosa.
As investigações da Operação Financiador tiveram início em novembro de 2016. Foi apurado que, por meio de conta corrente de terceiros e de empresas de fachada, os dois policiais financiavam grupos criminosos que praticavam roubos de carga, receptação e estelionatos.
A contrapartida era o recebimento de parte dos lucros. Até o ato da prisão, a operação havia apurado lavagem de R$ 1,1 milhão. Foram identificados também imóveis de valor incompatível com os ganhos dos policiais.
Delegado indiciou jornalista
O delegado Omar Abud, que foi preso preventivamente nesta terça, foi o responsável pelo indiciamento dos dez maiores de idade presos pela Brigada Militar durante a ocupação da Secretaria da Fazenda.
Entre os indiciados estão o repórter do Jornal Já Matheus Chaparini, preso enquanto trabalhava, fazendo a cobertura da ocupação, e o cineasta independente Kevin D’arc, que está produzindo um filme sobre as ocupações escolares em vários estados brasileiros.
O delegado indiciou os dez por quatro crimes: dano qualificado ao patrimônio, resistência, associação criminosa e obstrução ao trabalho. O Ministério Público denunciou todos por dano qualificado e desobediência. A juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, da 9ª Vara Criminal do Foro Central acolheu a denúncia, tornando réus os dez presos.
Na ocasião, o delegado afirmou à reportagem do JÁ que Chaparini e D’arc não estavam trabalhando, mas participando da manifestação. “Estavam todos com o mesmo intuito”, declarou.
Abud disse ter assistido a todos os vídeos publicados sobre o episódio. Um destes vídeos mostra Chaparini se identificando como jornalista aos policiais pelo menos três vezes.
Abud Ingressou na corporação há 28 anos, como agente, e se tornou delegado em 1990. Em sua carreira, por diversas delegacias do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e delegacias regionais como a 12ª DP, a 22ª DP e a 15ª DP. Omar Abud está no topo da carreira, é delegado de 4ª classe, com salário bruto de R$ 22,4 mil.

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