
Mais de cinco mil professores participaram da assembléia no Gigantinho seguida de passeata (Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
Nem começaram as aulas e os educadores da rede de ensino público estadual já optaram por uma paralisação por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (03/03). A decisão foi tomada em assembléia geral realizada na tarde de quinta-feira (02/03), no Gigantinho. O governo estadual afirma que um aumento poderá ser anunciado, mas somente a partir de maio.
Quinta-feira pela manhã, na sede do Cpers, em Porto Alegre, cerca de 140 conselheiros e diretores de núcleos do sindicato já haviam aprovado por unanimidade a proposta de greve. A dúvida era se a mobilização ocorreria imediatamente ou na segunda quinzena de março.
No Gigantinho, os cinco mil professores presentes optaram pela paralisação imediata. “A categoria decidiu que temos que realizar este movimento agora. É uma greve justa. Todos sabem o valor do contra-cheque de um professor”, defende a presidente do Cpers, Simone Goldschmith. Os grevistas querem reposição salarial desde 2003, correspondente a 28% mais 8,69% de aumento concedido a outras categorias de servidores em 2005.

A categoria decidiu por realizar a greve imediatamente
Após a assembléia, os manifestantes seguiram em passeata pelas avenidas Padre Cacique e Borges de Medeiros até o Palácio Piratini, gritando palavras de ordem como “Reajuste Já”. O objetivo era anunciar ao governo a decisão da categoria. Os professores foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Pedro Bisch Neto, já que o governador em exercício, Antônio Hohlfeldt, está no interior do estado.
O chefe da Casa Civil destacou a disponibilidade do governo em dar prosseguimento às negociações. Lembrou, no entanto, que o governo passa por uma crise financeira, já que fechou o ano de 2005 com um déficit orçamentário de R$ 918,3 milhões. “Ainda não temos como anunciar nada até a Secretaria da Fazenda oferecer a segurança de que vamos pagar sem atrasar”.
O Secretário da Educação, José Fortunati, recebeu a notícia da greve através da mídia e marcou imediatamente uma coletiva de imprensa no seu gabinete. Ele reafirmou que o estado não tem como apresentar uma proposta salarial neste momento. “Seria uma irresponsabilidade conceder um índice sem que os nossos técnicos analisem a situação financeira do Rio Grande do Sul nos próximos meses”.
A proposta é que os professores aguardem até maio, quando algum índice será anunciado. O Cpers, no entanto, prefere pressionar o governo desde agora. “Em maio teremos novos secretários assumindo, então o momento de reivindicar é este”, afirma a presidente Simone. “O governador optou por ser presidente, mas nós ainda estamos penando desde 2003 com os nossos baixos salários e sem reajuste”, alfinetou.
A paralisação
A partir desta sexta-feira (03/03), o comando de greve irá se reunir para realizar encaminhamentos, e os grevistas irão às escolas para convencer os colegas a aderirem ao movimento. “Pais e alunos devem ir às escolas para ouvir a posição dos professores. Pedimos este apoio para que a greve acabe o mais breve possível”, enfatiza Simone.
O secretário da Educação acredita, no entanto, que a maior parte das três mil escolas estaduais não vai parar as atividades. “Os pais devem levar seus filhos ao colégio nos próximos dias, já que nós faremos o possível para que as atividades escolares continuem”, afirmou. Para que isto aconteça, alguns professores terão que substituir os colegas grevistas com outras matérias.
Os manifestantes terão que recuperar as aulas perdidas após a paralisação, mesmo que seja em janeiro. “Não há dúvidas que os alunos serão os maiores prejudicados”, diz o secretário. Para ele, a qualidade do ensino não será a mesma, mesmo com uma recuperação após o dia 22 de dezembro, data que era prevista para o término normal das aulas.

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