Naira Hofmeister
Quem vai à Feira do Livro, em geral, prefere lançamento. Tanto que, mesmo nas barraquinhas de livros usados, os mais procurados são os chamados livros de ponta – aqueles que estão no topo da lista dos mais vendidos. Para inverter um pouco essa lógica da novidade, criar uma cultura de memória e de valoração do livro antigo é que cerca de 23 proprietários de sebos se uniram numa associação, atuante desde abril desse ano.
A primeira grande ação pública vai ser a Feira do Livro Usado, em maio de 2006. “Vamos colocar à venda obras raras e aquelas que não são mais editadas”, antecipa André Nunes Gambarra, secretário da associação de sócio da Livraria Nova Roma. O evento vai ter os mesmo moldes da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, porém, com outro enfoque.
Sessões de autógrafos serão praticamente impossíveis, mas a programação paralela vai ser intensa. A bibliofilia – coleções de livros temáticos ou raros – vai ser amplamente explorada e os organizadores também pretendem homenagear uma cidade: “Descobrimos que há cerca de 10 cidades co-irmãs de Porto Alegre e uma delas será a escolhida”, afirma Zeca Poli, proprietário da Noigandres. Ele diz que já estão em contato com o Consulado Russo – onde fica uma das candidatas -, que está se comprometendo a ajudar.
Extra-oficialmente, a associação já conseguiu o apoio da Prefeitura para organizar a feira: “Roque Jacobi nos prometeu toda a ajuda”, conta Zeca Poli. Eles pretendem solicitar apoio das LICs para montar a estrutura do evento, que, também como a ‘irmã inspiradora’, vai ter cobertura de lona para a chuva.
Se não der certo, também não tem problema: “Mesmo que a gente não consiga apoio nenhum, o que queremos é realizar a primeira edição, por mais simples que seja”, idealiza André Nunes. Eles se mostram confiantes, no entanto: “Acho que uma feira de sebos é simpática aos olhos de quem investe em cultura e a mídia está dando bastante força para a associação”, afirma.
Para além do objetivo de organizar uma feira, a Associação do Sebos planeja ações que valorizem os livros de segunda mão. “Uma boa parte do acervo de livro usado vai fora, isso significa memória que foi perdida”, lembra Zeca Poli. Ele também alerta para aqueles que deixam os livros que não usam mais, no “papel velho”, ou seja, para a reciclagem: Dava ao menos para doar aos colégios”, acredita.
A Associação ainda editou um Mapa dos Sebos no estado, em papel jornal, bem simples, que, além da localização de 20 lojas de usados no Rio Grande, traz uma receita para eliminar as traças e para proteger capas de couro dos livros usados (reprodução abaixo). Se depender de exemplos ilustres, a idéia vai vingar. Durante essa entrevista, Jorge Furtado passeava os olhos por alguns exemplares da banca do Zeca…
Dica prática para matar traças de um livro
Envolver o livro em um saco plástico grosso bem lacrado, colocá-lo no freezer por 48 horas. Após retirá-lo, deixá-lo em local bem ventilado e aberto, depois poderá guardá-lo pois a traça não será mais problema.
Receita para proteger livros com capa de couro
100 ml de óleo de mocotó;
35 gr de cera de abelha ou carnaúba;
5 gr de timol;
5 ml de álcoo etílico
Dissolver a cera e o óleo em banho-maria, deixar esfriar mexendo sempre, depois dissolver o timol no álcool e misturar tudo. Aplicar nas capas com pano macio, deixar secar por 12 horas e lustrar com flanela limpa e seca (essa fórmula pode sr feita em farmácia de manipulação). *Também pode ser passado nas capas de era com silicone.
Fonte: Mapa dos Sebos do RS – Editado pela Associação dos Sebos do Rio Grande do Sul.
Proprietários de sebos farão Feira só de usados
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