Em artigo nas redes sociais, o historiador Valter Pomar, da direção nacional do PT resumiu a decisão do partido depois da decisão do TSE que por seis votos a um, impugnou a candidatura do ex-presidente Lula, em sessão que terminou na madrugada de sábado.
Segundo Pomar, a estratégia de seguir com Lula candidato até esgotar todos os recursos segue inalterável e o partido deve retomar a palavra de ordem: “Eleição sem Lula é fraude”.
Eis um trecho do artigo citado:
“Não aceitar o TSE como última instância. Esticar a corda. Ganhar tempo. Aumentar a pressão internacional. Ampliar a campanha Lula livre.
No dia 2 de setembro e nos proximos dias, na Avenida Paulista e noutros locais do país, é preciso realizar atos políticos e culturais estilo “lulaços”.
No dia 7 de setembro, por exemplo no Ipiranga, realizar um ato em defesa de um novo Grito da Independência, na linha “os filhos teus não fogem à luta”, com o mesmo padrão daquele realizado nos Arcos da Lapa.
No dia 13 de setembro devemos fazer um movimento do tipo “vamos visitar o Lula em Curitiba”.
E continuar colocando a campanha Lula na rua.
Portanto, nada de jogar a toalha. Não estávamos e não estamos “cumprindo tabela”.
Um de nossos objetivos segue sendo tentar empurrar a decisão para depois do dia 17 de setembro, para garantir que Lula esteja na urna.
E mesmo que não tenhamos êxito neste objetivo, precisamos deixar claro para a maioria a violência que está sendo cometida, não contra Lula, não contra o PT, mas contra o povo.
Temos que voltar a usar a palavra de ordem “eleição sem Lula é fraude”.
Isto não significa necessariamente que devamos boicotar ou votar nulo. Pode ser, pode não ser. Isso não é uma questão de princípio, é uma questão tática.
Mas mesmo que decidamos participar, a denúncia da fraude precisa ser feita.
Lula é a única alternativa que tem começo, meio e fim.
Todos os cenários sem Lula envolvem tantas incertezas, que seu desfecho mais provável é o aprofundamento da crise.
Ou seja: ou é Lula, ou nada poderá ser como era antes”.
Argumentos da defesa de Lula para manter a estratégia:
No mérito, tivemos o voto do Fachin. Um voto longo e profundo. Desconstruiu o voto do Barroso. Mostrou que não fazia sentido em tratar a decisão do Comitê da ONU como algo menor;
2. Na prática, isso significa que aumenta nossa chance no STF. Até a própria Rosa concordou com quase tudo que o Fachin disse. Discordou em ponto menor, superável no STF;
3. No STF vamos ter que contar com o sorteio. Carmem e os três do TSE estão excluídos. Ficam Lewandowski e Marco Aurélio, Toffoli e Celso.
4. Pediríamos uma liminar para Lula ficar candidato até, pelo menos, o julgamento dos embargos de declaração. Ou até o STF decidir. Vamos avaliar bem o melhor caminho jurídico que devemos seguir para manter a disputa pelo restabelecimento da candidatura Lula vivo;
5. Rosa Weber foi a única que respeitou o art. 16-A – que autoriza seguir em campanha até o final.
6. Barroso inovou para dizer que a decisão do TSE seria a última. Mesmo sendo a primeira, no caso. Mudaram a jurisprudência das eleições presidenciais. Aqui temos uma chance no STF.
7. Com isso, nosso prazo de substituição de dez dias começou a contar. Temos até dia 12 – se não conseguirmos uma liminar.
8. A decisão não era clara sobre o uso do horário eleitoral neste período de dez dias. Estava mais para tela azul, mas decidimos (com Gleisi e Haddad) apostar na ambiguidade. No final, Raquel Dodge pediu para que fosse deixada a “tela azul” até a substituição. Era o que estavam decidindo;
9. De madrugada fiz uma questão de ordem que já estava preparada. Para dizer que Haddad seguia candidato a vice e o tempo é da coligação. Os Ministros pediram um tempo para pensar. Reuniriam-se secretamente para deliberar. E voltaram com a decisão segundo a qual o horário é da coligação.
10. Assim, temos o horário e Lula pode aparecer 25% como apoiador do vice. Será um “vice avulso”. O tempo todo podemos dizer que estamos recorrendo (o que é verdade) para que Lula volte como candidato. E pode mesmo voltar. Da parte jurídica é isso.

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