Michel Temer enfrenta a pior semana desde que tomou posse, depois do impeachment de Dilma Rousseff.
A delação de Cláudio Melo Filho, diretor da Odebrecht, que ocupou o noticiário no fim de semana, pode tornar insustentável a situação do presidente, já desgastado pela dificuldade em aprovar seus projetos de ajuste no Congresso e pelo agravamento da crise econômica.
Uma pesquisa do Datafolha, feita antes da divulgação da delação de Melo Filho, já mostra a popularidade de Temer em queda livre. Apenas 15% ainda acreditam em seu governo, enquanto os que o consideram ruim ou péssimo chega aos 51%.
Nesse contexto, a repercussão das revelações do ex-diretor da Odebrecht podem ser o empurrão que falta para desestabilizar o governo.
Na delação de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, são citados 51 políticos de 11 partidos que recebiam propina. O nome de Michel Temer aparece mais de 40 vezes, inclusive numa reunião no Palácio Jaburu, quando ele pediu dinheiro a Marcelo Odebrecht (que teria liberado R$ 10 milhões).
O delator detalha como cerca de 22 milhões de reais foram dispendidos para aprovar 14 medidas provisórias de interesse da empresa. E não deixa dúvidas: o núcleo é formado por figuras notórias do PMDB.
No Senado, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira.
Na Câmara, a liderança é de Temer e seus operadores são Eliseu Padilha, Moreira Franco.”É um grupo organizado e liderado por Michel Temer”.
“Quem fala com os agentes privados é Padilha. Centraliza as arrecadações e deixa claro muitas vezes que fala em nome de Michel Temer”.
No depoimento de 82 páginas, o diretor mostra como havia uma relação simbiótica entre esses grupos e a Odebrecht, formando o que se chamou de PMDBrecht.
A delação ainda não foi homologada (pode portanto ser anulada) e a divulgação de seu conteúdo decorre de um vazamento ilegal. Mas o estrago na opinião pública está feito e com isso mesmo grupos que têm dado sustentação ao governo Temer começam a mudar de posição.
O caso mais significativo é a postura da Rede Globo, que já dá sinais de ter abandonado o presidente interino.
Isso fica claro não só pelo grande destaque dado às denúncias do diretor da Odebrecht, que cita 41 vezes o nome de Temer, mas pelo trânsito que os veículos da Globo começam a dar às noticias sobre novas eleições para a Presidência.
O nome do ex-ministro Nelson Jobim voltou ao noticiário como uma alternativa, no caso de uma eleição indireta para resolver a crise.
Também a proposta de alteração da Constituição para permitir eleição direta até seis meses antes do fim do mandato voltou a ser cogitada.
Um projeto de emenda constitucional de autoria do deputado Miro Teixeira que estava engavetado na Comissão de Constituição e Justiça desde junho pode ser retomado.
O projeto já tem parecer favorável do relator, Esperidião Amin, e não foi levado à votação na Comissão por pressão da Casa Civil, segundo o deputado catarinense.
Para barrar esse processo, o governo anunciou no início da manhã desta segunda um pacote de medidas para aquecer a economia. Os próximos dias serão decisivos.

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