Sete entidades de servidores da Secretaria de Segurança, autodenominadas “Bloco da Segurança Pública”, anunciaram para esta quinta-feira uma paralisação de 15 horas em todos o serviços não emergenciais.
O governador Ivo Sartori minimizou o problema e garantiu que a população pode sair tranquilamente às ruas, pois a segurança pública estaria garantida. Mesmo assim, vários setores alteraram as suas rotinas.
O Cpers, solidário com as categorias mobilizadas, orienta que professores e alunos da rede estadual também não compareçam às aulas. Em comum, o protesto contra o contínuo parcelamento dos salários dos servidores.
Devido à anunciada falta de segurança nas ruas, os bancários gaúchos conseguiram na tarde desta quarta-feira liminar para manter as agências fechadas.
A paralisação de 15 horas convocada pelo “Bloco da Segurança” começa às 06h desta quinta-feira, até 21hs.
O Bloco mobiliza sete entidades. Oriundas da Brigada Militar, são oficiais (AOFERGS), sargentos, subtenenetes e tenentes (ASSTBM), servidores de nível médio (ABAMF) e até os bombeiros (ABERGS), além de servidores penitenciários (AMAPERGS), escrivães, inspetores e investigadores de polícia (UGEIRM) e peritos (SINDIPERÍCIAS).
Em um aviso oficial, orientam a população gaúcha a não sair de casa, como também a suspensão do transporte público e o fechamento do comércio, alegando “absoluta falta de segurança que deverá imperar nesse dia”.
A paralisação é um protesto contra o parcelamento dos salários pelo sexto mês consecutivo, mas as insatisfações são crônicas. Apesar do plano de segurança anunciado pelo governo, com investimentos que somam 166,9 milhões de reais ao longo do mandato Sartori, falta gente, material, formação.
Presente em uma audiência pública sobre a Segurança na Assembleia Legislativa, na tarde de quarta-feira, o secretário de Segurança, Wantuir Jacini, disse que, apesar de entender como justa a manifestação dos policiais, eles têm responsabilidade na proteção da sociedade. “Vai ser um dia normal”, afirmou.
O secretário ressaltou que 19 municípios concentram 85% da criminalidade do Estado. Segundo ele, 320 municípios gaúchos não registraram nenhum homicídio por pelo menos um ano.
Íntegra da nota do Bloco da Segurança Pública no final de julho
O Bloco da Segurança Pública, representado por suas respectivas entidades, reunido da data de hoje, mediante a notícia de novo parcelamento de salário, dessa vez com a aviltante parcela de R$ 650,00 depositados na conta dos servidores, aliado a toda política de desmonte dos serviços públicos do Governo Sartori, do PMDB, vem a público alertar que a situação é insustentável.
O reiterado e injustificado parcelamento salarial, ao qual os servidores do Estado, mais especificamente os operadores da Segurança Pública, estão submetidos, vem comprometendo a sua dignidade e de suas famílias, pois não têm mínimos recursos financeiros para o seu transporte ao local de trabalho e nem mesmo para sua alimentação e de suas famílias.
Afinal, do que serviu o aumento de impostos implementado pelo Governo do Estado, tendo usado como justificativa o pagamento de salário de servidores?
Registramos nossa veemente crítica ao Poder Judiciário, que não faz cumprir sua decisão que proíbe o parcelamento salarial. Não é possível que homens e mulheres que arriscam suas vidas na proteção da sociedade gaúcha, tenham que se submeter a tamanho vexame e humilhação frente ao novo parcelamento de salários, por isso e em razão dos motivos acima expostos, as entidades que compõe o Bloco da Segurança vem a deliberar pelas seguintes ações:
1- Convidar os colegas da Segurança Pública (PC, BM, IGP, Bombeiros e Susepe) para estarem na frente do Palácio Piratini, às 11hs, amanhã, 29 de junho de 2016 , com o intuito de exigir imediata agenda com o Governador do Estado, José Ivo Sartori.
2- No mesmo dia e horário, convidamos os colegas do interior do estado, a realizarem atos em frente as suas respectivas prefeituras, buscando destas o apoio necessário para a solução da terrível crise que assola os operadores da Segurança Pública do RS.
3- As entidades que compõe o BLOCO DA SEGURANÇA PÚBLICA anunciam a deflagração de uma OPERAÇÃO PADRÃO que deverá ser mantida até a integralização do salário.
4- Convocação para 15hs de paralisação no dia 04 de agosto de 2016, a partir das 06hs da manhã até as 21hs, visando marcar a revolta das categorias frente a esse descalabro. Chamamos a atenção da sociedade gaúcha para que durante esse dia evite sair as ruas, abrir o comércio, levar seus filhos à escola, bem como orientamos a suspensão do transporte público, frente a absoluta falta de segurança que deverá imperar nesse dia.
Porto Alegre, 28 de julho de 2016
AMAPERGS – ASSTBM – ABAMF – UGEIRM – AOFERGS – SINDIPERÍCIAS – ABERGS

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