Rafaela Silva não é a garota de Ipanema. É o primeiro ouro do Brasil

Lutar faz parte da rotina da judoca brasileira Rafaela Silva desde que nasceu, na Cidade de Deus, um dos lugares mais pobres do Rio de Janeiro.
Hoje à tarde, ela derrotou a atleta Dorjsürengiin Sumiya, da Mongólia, na final na categoria até 57 quilos feminino. É a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Com um wazari sobre a oponente, Rafaela conquistou 10 pontos, administrou a luta até o final, com o apoio da torcida brasileira.
Nas disputas de hoje (8), Rafaela já havia vencido a romena Corina Caprioriu, a alemã Myriam Roper, a sul-coreana Kim Jandi e a húngara Hedvig Karakas. A portuguesa Telma Monteiro venceu por um yuko a romena Corina Caprioriu e ficou com a medalha de bronze.
Rafaela Silva é carioca, tem 24 anos, nasceu e cresceu na comunidade Cidade de Deus. Começou a praticar judô com 5 anos, em uma academia na rua de sua casa. Aos 8 anos, entrou no Instituto Reação, no Rio de Janeiro.
Em 2011, ganhou a medalha de prata nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México e, em 2015, conquistou a de bronze no Pan de Toronto. Também foi foi vice-campeã mundial em Paris 2011.
Na Olimpíada de 2012, em Londres, Rafaela foi desclassificada pelos juízes na segunda rodada por um golpe ilegal. Passou a ser agredida duramente por uma campanha racista. Não se intimidou. Suportava o racismo cotidianamente. No ano seguinte, foi campeã mundial.
Dona Zenilda, mãe de Rafaela, estava na Arena Carioca 2 para ver a filha. Ao chegar, disse: “Em Londres, chamaram minha filha de macaca. Agora, estamos aqui”.
Ela referia-se à campanha racista movida contra Rafaela nas redes sociais depois de sua derrota na Olimpíada de 2012. Num dos posts criminosos, um homem escreveu que “lugar de macaco é na jaula”. A pequena guerreira não se intimidou e respondeu. Resultado: em vez de apoio, recebeu advertências e ameaças do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
A Cidade de Deus ficou conhecida mundialmente com o filme dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund em 2002, a partir do livro de Paulo Lins. Agora, volta ao mundo pela competência e determinação de Rafaela.
 

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