Exatos vinte dias após assumir o cargo de presidente da Carris, Luís Fernando Ferreira renunciou ao cargo, sem explicar os motivos. A renúncia foi anunciada nesta segunda-feira pela prefeitura.
“Não houve nenhuma desavença”, garantiu o secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Elizandro Sabino, ao confirmar o pedido de demissão.
Segundo o secretário, Ferreira apresentou um diagnóstico sobre a companhia, colocou-se à disposição para contribuir com a prefeitura, mas disse que tem outros projetos.
A prefeitura informou apenas que ele assumirá a presidência do Conselho da Carris e vai “acompanhar os processos de seleção de novos diretores e coordenadores vinculados à administração municipal, inclusive a diretoria da empresa”.
Ferreira foi nomeado no dia 31 de janeiro, após seleção através do “banco de talentos” da prefeitura. Economista formado pela UFRGS com MBA pela USP e Youngstown State University, de Ohio, Estados Unidos e 15 anos de experiencia em gestão de empresas em crise.
Ferreira era o exemplo do funcionário que o prefeito Nelson Marchezan Júnior busca, através deste método de seleção: um técnico, aparentemente sem indicação política e com qualificação profissional em experiência na área.
No ato de posse, Ferreira tinha afirmado que seu objetivo principal era reverter os resultados atuais da empresa, que opera com déficit desde 2011.
Ferreira atribuía os maus resultados da empresa nos últimos anos à “obsolescência no modelo de gestão, que vem crescendo e se perpetuando”.
Assumiu o cargo demonstrando empolgação com o desafio de reorganizar administrativamente a empresas pública de transporte, outrora superavitária, exemplo de boa gestão e serviço exemplar, hoje, acumulando déficits crescentes que já passam dos R$ 50 milhões ao ano.
O motivo da renúncia não ficou claro para os funcionários da Carris, que mal conheceram Ferreira — ele nem chegou a ser apresentado ao conselho dos funcionários.
O diretor-técnico da Carris, Flávio Barbosa, que assumiu interinamente a presidência da companhia, garante que não houve conflitos dentro da empresa, que poderiam ter levado à renúncia do presidente. “Quando a gente tomou ciência ele havia apresentado a carta de renúncia para o prefeito.”
A assessoria de imprensa da Carris informou que não tem o telefone de Luís Fernando Ferreira.

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