Rua Viva: Bicicleta, futebol e xis vegano na praça Sevigné

Matheus Chaparini
A pracinha está encravada na fronteira entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa, cercada por um colégio e duas faculdades, alguns bares e restaurantes. Mas não foram estas características que fizeram dela um ponto de encontro confirmado de Porto Alegre. A Selene incluiu em seu cardápio o xis vegano. Foi aí que a praça bombou.

De terça a sábado, o movimento noturno é certo na praça e no entorno

Há cerca de dois anos, o movimento naquele canto da cidade, que já era crescente, explodiu. Em qualquer noite, entre terça e sábado, o movimento é certo naquele trecho que pode ser delimitado fisicamente entre a esquina das ruas Fernando Machado e Marechal Floriano Peixoto e a praça Marquesa de Sevigné. Ou, no roteiro de quem vem do Centro pós expediente, do salgado vegano da Confeitaria Dona Laura até um litrão na praça, ou uma saideira a raros e honestos seis pilas no tradicional Grand’s Bar. No sentido inverso, pode-se começar com um xis vegano no MM e encerrar o rolê com uma cerveja na calçada no mercadinho.
Durante o dia, o cenário ganha ainda mais um atrativo, a trilha sonora da Power Discos, uma pequena loja de vinis, sempre com porta aberta e boa música.
São basicamente dois públicos que se misturam por ali. No meio da quadra o Brechó do Futebol foi o pioneiro de uma série empreendimentos – bar com arquibancada, café, champanharia, almondegaria. Ali se concentra um público interessado no futebol, reduto tricolor. Bebe-se cerveja artesanal. Nas pontas, a confeitaria Dona Laura e o MM Lanches reúnem outra gurizada e os postes e grades se enchem de bicicletas.
Praça do Xis
Selene incluiu no cardápio as opções veganas e o xis bombou

Selene Telles Bueno é peça-chave na transformação daquele ambiente. Mudou-se para uma casa junto à praça há dez anos e abriu uma carrocinha de cachorro quente junto ao chafariz. O dog não era exatamente um sucesso de vendas. O xis entrou no cardápio, mas também não salvou a lavoura. Até que um rapaz chamado Matheus, morador da casa do estudante da UFRGS, deu o toque: xis vegano
“Eu nem sabia o que que era vegano!”, conta Selene. “O Matheus começou a vir todos os dias e ler trechos de livros sobre veganismo.”
Aprendeu fazendo. Começou com um hambúrguer de soja, hoje são 19 variedades. Abóbora é o campeão de vendas, beterraba, a novidade, pinhão, o próximo desafio. Funcionando das onze e meia às onze e meia, o MM é um negócio familiar que garante o sustento de dez pessoas. As opções de carne continuam no cardápio, mas representam não mais do que 10% das vendas.
Uma reforma realizada em 2012 também contribuiu para mudar os ares da praça. “Era uma praça morta, suja, cheia de cocô. Tu te sentia mal de estar aqui às sete da noite. Às oito, tu era assaltado certo.”
Felipe vende espetinhos de carne no point dos veganos

Do outro lado da praça, um churrasquinho. E carne assada vende no meio desse povo que não come bicho morto? O Felipe garante que sim. “Só ponta de filé, carne boa.”
Felipe Garcia é metalúrgico, trabalhou em grandes indústrias, “mas aí a crise, né…” Há um ano ele começou um negócio, com apoio da vizinha Selene. No primeiro mês, vendia não mais que meia dúzia em uma noite inteira. Com uma clientela fiel, hoje ele afirma que cumpre a meta de cinquenta espetinhos em pouco mais de três horas.
Praça-musa
Através da janela do seu apartamento, o cartunista Uberti fez um livro. “Graça na Praça” foi lançado em 2010 pela L&PM. Durante dois anos, Uberti fez um desenho semanal. O cenário, sempre a antiga praça do triângulo. Pela janela, viu a época da praça mal cuidada e pouco habitada, a reforma e a chegada do movimento.
Morador há mais de 30 anos, Uberti tem até uma miniatura do chafariz em sua casa, dentre suas centenas de miniaturas de carros, aviões, trens.

Devaneando com o olhar janela afora, imaginou uma cena e desenhou: um piá fantasiado de batman em cima do chafariz ameaça pular, para diversão dos colegas e desespero da mãe.
Já com o livro pronto em mãos, viu a cena se concretizar. Apareceu um guri com a tal da fantasia de super herói correndo em torno da fonte. Porém, no episódio da vida real, o menino foi impedido pelo pai quando tentava subir o primeiro patamar do chafariz.
Rua do Futebol
A ideia começou com o Carlos Caloghero, que vendia camisetas antigas de futebol em casa e pela internet. O quarto ficou pequeno e surgiu a necessidade de se mudar para um local maior.
Em junho de 2010 nasceu o Brechó de Futebol, reunindo loja e bar. Na quadra pouco movimentada, os vizinhos eram uma papelaria e uma lan house que abria de vez em quando. O movimento cresceu, o brechó expandiu e ganhou novos vizinhos. Atualmente, eles ocupam quatro imóveis com um bar, loja e café e afirmam que os outros comércios não são concorrência, mas uma parceria, onde a clientela de um acaba respingando de alguma forma no estabelecimento do outro.
Em dia de jogo, a calçada vira arquibancada na Fernando Machado

A ligação do Brechó com o Grêmio vem da gênese. Os três sócios – Caloghero e os Andrés, Damiani e Zimmermann – se conheceram bebendo nos bares do entorno do Estádio Olímpico. No início do negócio, a maior parte do público era de amigos gremistas. Com o tempo a clientela diversificou. “Se tem jogo bom passando, enche de gente. Não é um bar do Grêmio”, explica Zimmermann.
Nas paredes cobertas de imagens, camisetas e mantas de clubes do mundo todo, encontra-se até mesmo uma flâmula do título mundial do Inter e fotos de alguns heróis colorados.
Praça do Triângulo
Aquele pequeno pedaço de terra em formato triangular, delimitado pela rua da Figueira – Coronel Genuíno, rua do Arvoredo – Fernando Machado, e rua da Olaria – Lima e Silva, virou praça há 140 anos. Em 1887, o vereador Leopoldo Masson propôs à Câmara Municipal destinar verba para o ajardinamento. Como contrapartida, os moradores deveriam providenciar a instalação de um chafariz. A fonte, que substituiu um bebedouro para cavalos, é a mesma até hoje.
Dois anos depois, um abaixo-assinado pedia um nome, que custou a vir. Em um mapa de 1949, ela aparece como Praça do Triângulo. Em 1966, vem o nome oficial: Praça Marquesa de Sévigné.

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Comentários

Uma resposta para “Rua Viva: Bicicleta, futebol e xis vegano na praça Sevigné”

  1. Avatar de Madureira
    Madureira

    Quem vê de fora acha tudo isso um muquifo!

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