Está marcada para a próxima sexta-feira (17), a abertura oficial da Colheita do Arroz Agroecológico, no Rio Gande do Sul.
O evento será realizado na sede comunitária da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita, localizada no Assentamento Capela, no município de Nova Santa Rita, a 40 quilômetros de Porto Alegre.
A estimativa é colher este ano quase 550 mil sacas (mais de 27 mil toneladas) do grão, numa área plantada de mais de 5 mil hectares. Isto significa um aumento de quase 40% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 390 mil sacas do alimento.
O cultivo é realizado por 616 famílias, em 22 assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, em 16 municípios gaúchos.
Já na produção de sementes, que evolve 25 famílias em 9 assentamentos e 8 municípios, a estimativa é colher mais de 22 mil sacas.
A produção do arroz orgânico ocorre nos municípios de Eldorado do Sul, Nova Santa Rita, Viamão, Guaíba, Santa Margarida, Canguçu, Charqueadas, Manoel Viana, Tapes, Camaquã, São Gabriel, Capivari, Sentinela, Arambaré, Taquari e São Jerônimo. Já as sementes são produzidas em Eldorado do Sul, Nova Santa Rita, Viamão, Guaiba, Santa Margarida, Canguçu, Charqueadas e São Jerônimo.
Conforme o dirigente estadual do MST, Cedenir de Oliveira, para além de celebrar a produção de arroz livre de venenos, o evento é uma oportunidade para discutir com as famílias assentadas os modelos de desenvolvimento da agricultura e de apresentar à sociedade os resultados da reforma agrária.
“A cadeia produtiva do arroz orgânico representa o modo de produção que defendemos para o campo. Ela mostra que a democratização da terra dá certo e que é possível produzir alimentos saudáveis”, explica.
As atividades começam às 9 horas, com abertura oficial da colheita na lavoura. Após, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, e o filósofo Leonardo Boff farão análise de conjuntura política e apresentarão modos sustentáveis de desenvolver a agricultura. A programação se estende à tarde, quando acontece ato político com autoridades e lideranças.
Produção limpa ocorre há 18 anos
As primeiras experiências do MST na produção orgânica de arroz foram desenvolvidas em 1999, nos assentamentos da Reforma Agrária na região Metropolitana de Porto Alegre.
Todo o processo de produção, industrialização e comercialização é coordenado pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), por meio da marca comercial Terra Livre.
Hoje, grande parte da produção é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), mas o grão também vai para São Paulo e a Venezuela, podendo ser adquirido no Mercado Público de Porto Alegre e em feiras ecológicas em Canoas e na Capital.
A certificação orgânica é realizada em todas as etapas da produção do arroz, com base em normas nacionais e internacionais, desde o ano de 2004. Ela ocorre por meio de dois procedimentos: certificação participativa (OPAC – Coceargs) e auditoria (IMO – Ceres).
As famílias do Assentamento Capela, onde este ano ocorre a abertura oficial da colheita, se instalaram no local em setembro de 1989, com a ocupação da Fazenda Bacaraí, em Cruz Alta, no Noroeste do RS. Por cerca de cinco anos, diversas mobilizações: greve de fome, marchas, ocupações e atos públicos.
Em 1993 ocorreu, pela terceira vez, a ocupação da Fazenda Capela, em Nova Santa Rita. O latifúndio estava penhorado, resultando na desapropriação de 2.170 hectares e na criação do assentamento em 5 de maio de 1994.
Hoje, o Assentamento Capela está organizado em núcleos familiares, onde os assentados produzem, de forma coletiva ou individual, arroz orgânico e convencional, gado leiteiro e de corte, hortaliças e suínos para comercialização, além de diversos outros alimentos para o próprio consumo.
Elas recebem assistência técnica da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec), responsável por capacitar os camponeses em todas as etapas de trabalho.
Cooperativa
A Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan) foi fundada pelos assentados em 30 de junho de 1995. Um grupo de acampados apostou no trabalho coletivo e concretizou, a partir do assentamento, toda a estrutura da cooperativa.
Ao todo, 29 famílias do Assentamento Capela estão inseridas na Coopan. Elas produzem variadas culturas para o autossustento e têm em suas principais atividades econômicas a produção, industrialização e comercialização de arroz orgânico, além da criação, abate e venda de carcaças de suínos. Os assentados também investem em gado leiteiro.
Novo Empreendimento
A Coopan está construindo, por meio do Programa Terra Forte, abatedouro e frigorífico de suínos e bovinos, para atender as necessidades dos assentamentos e de agricultores familiares da região.
A liberação da estrutura para funcionamento deve ocorrer até o segundo semestre de 2018, garantindo, inicialmente, 40 postos de trabalho. A meta de produção das famílias é de 250 porcos e 50 cabeças de gado diariamente. O empreendimento vai possibilitar a comercialização em carcaças, cortes, embutidos e cozidos.

Deixe uma resposta