Cinco graus no termômetro, sensação térmica de um grau. Essa era a temperatura em Porto Alegre quando os manifestantes começaram a chegar à rótula da avenida Assis Brasil às seis horas da manhã desta terça-feira, 18.
Às oito horas eram mais de duas mil pessoas fechando o trânsito da avenida, uma das principais ligações da capital com a região metropolitana. A fila dos carros e caminhões parados chegou a três quilômetros.
O protesto reunia moradores de duas ocupações da zona norte, que estão ameaçados por ações de reintegração de posse.
A ocupação Senhor do Bom Fim, próxima à Assis Brasil, tem 360 familias, a Porto Novo, junto ao porto seco da capital, tem 400 familias, totalizando mais de quatro mil pessoas.
Tratado como problema de trânsito nos noticiários da manhã, o protesto que durou quatro horas, é a parte visível de um dos mais graves problemas nacionais, que em Porto Alegre adquire gravidade especial.
Em Porto Alegre há mais de 40 ocupações, no centro da cidade há uma dúzia de prédios ocupados. Numa delas, no centro histórico, a violência na reintegração de posse rendeu imagens que correram o país inteiro há uma semana.
Segundo as lideranças comunitárias, o município tem sido omisso em matéria de política habitacional. O principal programa habitacional do país, o “Minha Casa Minha Vida”, em dez anos não atingiu nem 20% da meta na capital gaúcha.

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