Eram 16h30min desta quinta-feira (13), e cerca de 200 jovens entre 15 e 23 anos formavam fila de espera em frente ao Opinião para entrar no show da banda Angra. Vestindo preto, o grupo estava tranqüilo, conversando, comendo salgadinhos, fazendo amizade e até cantando. A maioria estava lá desde o início da manhã e alguns já estavam bebendo álcool desde às11h. Não se incomodaram em esperar no sol e sentados no chão.
O show faz parte da turnê Temple Of Shadows, que divulga o sétimo álbum da banda. Já foi assistido por mais de 350 mil pessoas, passando por países da Europa e Américas do Norte e Latina. Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro (guitarra), Rafael Bittencourt (guitarra), Aquiles Priester (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Fábio Laguna (teclado) vão contar, através das músicas, a trajetória de Shadow Hunter, soldado que, em meio às Cruzadas do século XI, passa a questionar os ideais da Igreja Católica. As 13 faixas do Cd Temple Of Shadows narram esta saga, misturando diversos gêneros e estilos musicais.
Enquanto os jovens esperavam na calçada, jogando conversa fora, a equipe da Opinião Produtora teve muito trabalho nesta quinta-feira. Não só correu para suprir as necessidades técnicas do show do Angra – que trouxe toneladas em equipamentos – como também para atender à produção de outro show: o da dupla goiana Zezé di Camargo e Luciano, dirigido pelo ator e diretor global Jorge Fernando.
O espetáculo tem um diferencial: marca a estréia da dupla pela primeira vez em um teatro de Porto Alegre. Para o diretor, o público acostumado a assistir mega produções da dupla, vai se surpreender. “Eles já chegaram ao máximo do que se pode fazer em superprodução. Este show é muito mais para terra do que para o prateado”, diz Fernando. Entre as 25 músicas do repertório fixo, estão hits como Dou a Vida por um Beijo, A Ferro e Fogo, Você Vai Ver, Pior é Te Perder, Vem Ficar Comigo e Mexe Que é Bom. Outra novidade é a concepção do corpo de balé, formado por 6 bailarinos. “Não vou recorrer a coreografias com casais. Os números serão separados: uma deles, por exemplo, terá só mulheres”, conta o diretor.
Zezé Di Camargo diz que toda a idéia do show veio de encontro com as expectativas dele e do irmão Luciano. “Sempre quis fazer um show bem raiz, contando nossa história sertaneja. Coincidentemente o Jorge Fernando criou tudo em cima de nossa trajetória. Nosso novo CD (o 14°) é o mais sertanejo de todos e o show faz este link com o disco”.
A produção do Opinião fez questão de ressaltar que “este é um show para todas as idades”. Cita números da pesquisa “O perfil da juventude brasileira”, divulgada recentemente.pelo Instituto da Cidadania (ong) e pela Fundação Perseu Abramo: “Entre os jovens brasileiros na faixa entre 15 e 24 anos, a música sertaneja é o gênero musical preferido (30%) , seguido pelo rock (28%)” . A mesma pesquisa especifica que no item “músicos preferidos”, Zezé Di Camargo e Luciano aparecem em primeiro lugar.
Em frente ao Opinião, os jovens discordam: “Eu gosto de blues, jazz, clássico, samba…enfim, sou eclética, desde que seja música bem feita, bem escrita e bem composta. Mas odeio sertanejo, pagode e funk”, discursa Nathália Bacchi, 16 anos, vocalista da banda Búzius, que toca heavy metal melódico. “Zezé di Camargo e Luciano estragam a voz deles. Cantam alto e têm um agudo muito ruim”, opina Álvaro Ramos, 16 anos. “É um equivoco defender sertanejo e desmerecer bandas brasileiras que tocam heavy metal. Angra é metal misturado com maracatu, bossa nova. É um som que inclui ritmos brasileiros”, defende Juliano Pedroso, 17 anos.
A estudante Evelym Riberio, 16 anos, diz que prefere “respeitar as diferenças”. “Eu não curto os dois (Zezé di Camargo e Luciano), mas respeito quem gosta. A minha avó escuta muito.”. Breno Souza,18 anos, faz questão de ressaltar que é um ouvinte eclético, mas que pedir para ele gostar de sertanejo “é pegar pesado”. “O que eu gosto em uma música é o estilo, as letras. Sertanejo é um estilo que não condiz com o meu. Mas respeito quem curte este tipo de som”.
O jornalista e crítico Juarez Fonseca avalia que “são vários fatores” que interferem no gosto musical dos jovens: “Está cheio de garoto que gosta de música regional. No caso de Zezé e Luciano, eles inclusive deixaram de ser rural. A dupla é muito competente, tem músicos qualificados e vai fazer um show em teatro classe A para gente que tem dinheiro. E lá vão ter jovens”.
Fonseca acredita, no entanto, que o estilo do Angra agrada mais a alguns adolescentes: “Passei pelo Opinião ao meio dia e já tinham uns 50 adolescentes na fila, vestidos de preto, esperando para o show do Angra que começa às 23h”. “Mas é importante lembrar que no show da Ivete Sangalo, por exemplo, vai todo tipo de público, incluindo adolescentes. São pessoas que gostam do que está na mídia. É uma espécie de inconsciente coletivo”, opina.
Angra
Onde: Opinião Teatro e Bar
Quando: Quinta-feira (13 de outubro), às 23h
Zezé di Camargo e Luciano
Onde: Teatro do Sesi [Assis Brasil, 8787].
Quando: Quinta-feira (13 de outubro), e sexta (14 de outubro) às 21h
Ingressos: Mezanino: R$ 70 / Platéia Alta: R$ 100 / Platéia Baixa: R$ 150 /
Ponto de Venda: Eletrônica RF (Alberto Bins, 615 e 644).
Telentrega Opinião: 51- 3228.0576
Sertanejo e Heavy Metal dividem o público
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