O homem, além dos seus escritos, está na exposição “Simões Lopes Neto – onde não chega o olhar prossegue o pensamento”, mostra visual que será aberta ao público a partir desta quarta-feira (19), no Santander Cultural.
Com curadoria da arquiteta e museóloga Ceres Storchi, o projeto traz uma ampla visão da trajetória do escritor com registros de seu legado cívico, jornalístico, dramatúrgico, literário e pedagógico.
Acompanha a exposição um programa inédito de ação educativa com teatro, circo, cinema e seminário.
A exposição compreende ainda a família, o universo mítico das Lendas do Sul por onde a obra de Simões transita e o regionalismo dos Contos Gauchescos.
A exposição ultrapassa tradições gaúchas com personagens densos, completos em suas peculiaridades, facilmente identificáveis em pessoas do cotidiano atual de diferentes regiões, o autor mundialmente reconhecido é fiel a uma cultura enraizada no povo do Rio Grande do Sul.
Para Marcos Madureira, vice-presidente executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander, “a obra e a vida do escritor remetem a valores e características que o banco busca transmitir aos visitantes em todas as mostras: inovação, pluralidade e contemporaneidade”.
Para Walter Lídio Nunes, presidente da Celulose Riograndense, que apoia o projeto, “promover a vida e a obra de Simões Lopes Neto é muito mais do que exaltar as tradições e a cultura gaúchas, embora estes já fossem motivo suficiente para prestar-lhe uma homenagem. Simões Lopes Neto desperta nosso sentimento de pertencimento, nossa identidade, e a convicção de que a nossa terra e a nossa gente ainda têm muito para encantar o mundo”.
“Simões Lopes Neto – onde não chega o olhar prossegue o pensamento” é uma realização do Santander Cultural, Instituto Simões Lopes Neto e Sistema Fecomércio-RS/Sesc, com patrocínio do Santander e CMPC (Celulose Riograndense) por meio da Lei Rouanet, e parceria institucional do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e das prefeituras de Porto Alegre e Pelotas, dentro das comemorações do Biênio Simoneano e Ano Simões Lopes Neto.
Curiosidades sobre a mostra
Composição narrativa apresentada no grande hall e galerias térreas do Santander Cultural está dividida em dois eixos que convergem nas cartografias do próprio Simões e na cartografia do Blau Nunes. Blau é a forte herança deixada pelo escritor, o registro do tipo humano que desaparecia em um mundo em transformação, na paisagem do pampa e do mundo sulino.
O projeto cenográfico insere o público nos odores e sons combinados com projeções que dominam os primeiros momentos da visita, na cidade de origem de Simões, a Pelotas da transição do século XIX ao XX, palco de sua existência. Ao longo desse percurso, aparece o mundo do escritor e suas traquinagens na Estância da Graça, além de sua vivência do urbano e seu mundo de inúmeras atividades culturais e diversificados empreendimentos.
A rica documentação de diferentes acervos testemunha as diversas atividades do escritor no âmbito da sociabilidade, do jornalismo, da visão cívica, do conhecimento da ciência, para além do seu talento literário. Sua produção teve, no efeito e ressonância póstuma, o reconhecimento do seu caráter inventivo e humanista.
Ilustrações de Edgar Vasques, baseadas em personagens dos Contos e Lendas, foram especialmente desenhadas para a mostra, que traz documentos originais que atestam o reconhecimento e apropriação da produção do escritor pelo mercado editorial, universidades e outras instituições culturais. Já as cartografias, genealogias e interações em videowall, são recursos gráficos construídos para entender o espaço e as relações da produção e vida do escritor.
“Poucas vezes um homem foi tão forte expressão de seu tempo e lugar. Simões viveu um momento complexo da nossa história. A atividade pecuária, então estabelecida e já com a atividade industrial do charque, em decadência, acontecia a distância de poucos anos de uma condição em que o território se caracterizara por um ethos compartilhado entre os grupos humanos residentes e invasores. O tipo humano que construiu o mundo sociocultural do escritor passava pelo homem gaúcho que ali se configurou. Por outro lado, a mesma bravura e obstinação, que molda este homem o faz senhor da sua própria fragilidade, quando o situamos no panorama e imensidão do pampa”, escreveu a curadora Ceres Storchi.
Desta forma, estão em exibição não apenas livros e manuscritos do autor, mas fotografias de seu período de infância assim como objetos de uso pessoal. O material foi reunido em diferentes fontes, como o Acervo Clécio Santos e Instituto Simões Lopes Neto.
Da Biblioteca Pública Pelotense veio o “Álbum Simoniano”, com material coletado pela filha do escritor, Firmina Oliveira Lopes. O colecionador Fausto J. L. Domingues também emprestou peças para a mostra, desde objetos de época, como uma mala em que guardava manuscritos (foto), até peças mais recentes, como a edição em miniatura de “A Quinta do Romualdo” com ilustrações assinadas pela artista plástica Maria Tomaselli (2006).
Os desenhos de Edgar Vasques para a exposição ocupam a extensão de 32 metros. Ilustrações de Nelson Faedrich, impressas em livros históricos do escritor, também tiveram espaço.
“Acreditamos que esta exposição será um sucesso, porque vai coincidir com a Feira do Livro”, destacou o coordenador do Santander Cultural, Carlos Trevi.
Com entrada gratuita, a mostra pode ser visitada até o dia 18 de dezembro, de terças a sábados, das 10 às 19h, e aos domingos, das 13h às 19h.
No próximo dia 30, no Cine Santander Cultural, sempre às 19h, terá início o projeto paralelo, “Simões Lopes Neto nas Telas, que abre com o filme “Contos Gauchescos”, dirigido e roteirizado por Henrique de Freitas Lima e Pedro Zimmermann, com Roberto Birindelli, Ida Celina e Renata de Lélis no elenco. Segue em cartaz nos dias 3, 5, 8, 10 e 12 de novembro, sempre com entrada franca.
Simões Lopes Neto é homenageado com exposição no Santander Cultural
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