Sindicato dos ambulantes apóia camelódromo aéreo

Guilherme Kolling
Enquanto um grupo de 44 camelôs cegos trabalha para se manter na rua Marechal Floriano com José Montaury – já tem até projeto feito por arquiteto – o Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes e Comércio Varejista de Feirantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sinbulantes) apóia a idéia de um camelódromo aéreo, sobre o terminal de ônibus da Praça Ruy Barbosa, no Centro.
O tesoureiro do Sinbulantes, Giancarlo Guimarães, concorda em gênero, número e grau com a proposta da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio. O coro a Smic é repetido na avaliação sobre a resistência de alguns em sair da rua.
“É a parte obscura deste assunto. Uma meia dúzia controla e aluga cerca de 50 bancas. Eles têm o monopólio do espaço e do abastecimento de produtos. São contra o camelódromo porque num lugar fechado vai ser bem mais difícil seguir fazendo isso”, explica Guimarães. “E os custos de quem trabalha vão ser menores”, completa.
Conforme o tesoureiro, uma das vantagens do novo projeto é que ninguém fica excluído. “Assim todos tem visibilidade. Quem iria querer expor os produtos no 3º ou 4º andar?”, questiona. O projeto é encarado como uma grande oportunidade de abrigar não só os ambulantes cadastrados, que estão na Praça XV, mas também os irregulares, que circulam entre Dr. Flores e Voluntários da Pátria.
O dirigente do Sinbulantes sonha com outras benfeitorias. “Vai ter Praça de Alimentação, banheiro e creche para os filhos dos vendedores”, projeta. A previsão é abrigar entre 900 e 1.200 ambulantes. Guimarães calcula que hoje existam 1.800 camelôs (400 registrados). Os demais seriam instalados em outros locais. “Sendo no térreo, qualquer prédio do Centro é bom para funcionar um shopping popular”, acredita.
Pelas informações Sinbulantes, uma empresa estrangeira construiria a estrutura do camelódromo aéreo, feita de material pré-moldado, que poderia ficar pronta em poucos meses. “Em troca eles vão explorar o aluguel”. Guimarães lista outra reivindicação: uma legislação específica para shopping popular. “A classe não vai virar lojista. Pode até pagar impostos, mas continuará sendo ambulante”.
Organização
Os camelôs de Porto Alegre estão bem organizados para defender seus objetivos. Um exemplo é a sede do Sinbulantes, que tem uma estrutura melhor do que a de muito sindicato por aí. O conjunto comercial, no 5º andar de um prédio da avenida Voluntários da Pátria, fica com a porta aberta para quem quiser entrar.
Mas na recepção, três funcionários estão a postos, entrincheirados em suas mesas. O ambiente sóbrio, tem computadores e telefone. Ao fundo do salão, escritórios e espaço para reuniões. Por todo o ambiente, muitas pastas, arquivos e papel – isso que eles trabalham na informalidade.
O tesoureiro do Sinbulantes, Giancarlo Guimarães, 44, fala com desenvoltura. Quando recebeu a reportagem, repousava sobre sua mesa a edição recém-publicada da Revista da Fecomércio, para a qual ele deu uma entrevista sobre camelôs. “Temos um bom relacionamento com a imprensa”, garante.
Ele explica a força do segmento. “A entidade existe desde 1940. A carta sindical é de 71”, conta, com orgulho. Membro da gestão que assumiu em 2002 e tem mandato até 2006, ele fez carreira no Sindicato dos Ambulantes. Ingressou como office-boy em 1976 e segue trabalhando. Sua próxima meta é ajudar a implantar o camelódromo aéreo.
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