Matheus Chaparini
“Fomos recebidos de forma muito cordial, mas dura”, assim foi definida a reunião por um dos advogados que integra a frente jurídica que defende os trabalhadores das fundações e da Corag. Do lado de fora, servidores realizavam um buzinaço.
A frente concedeu entrevista coletiva em frente ao edifício do Centro Administrativo após a primeira de uma série de reuniões chamadas pelo governo para discutir a situação dos servidores caso seja confirmada a extinção das fundações e da companhia.
O advogado do Sindicato dos Gráficos, Rômulo Escouto, afirmou que o governo sentou à mesa “dando as extinções e demissões como irreversíveis.” E defendeu que “uma negociação coletiva pressupõe que as duas partes estejam abertas a ouvir.”
As extinções foram aprovadas pela Assembleia Legislativa no final do ano e sancionadas pelo governador José Ivo Sartori em janeiro. Entretanto, a Justiça do Trabalho impediu a demissão em massa dos trabalhadores sem negociação coletiva com os sindicatos.

Para os servidores, a situação ainda não está definida. “Temos o caso da Corag que tem contratos em andamento a cumprir”, exemplifica o advogado Antônio Castro, que participa da negociação representando os radialistas.
Os advogados apresentaram um ofício solicitando ao governo uma série de informações relativas à situação de cada funcionários. Quantos são, em que data foram admitidos, se entraram através de concurso ou não, se pertencem à Cipa (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes) são alguns dos questionamentos apresentados.
Ofícios semelhantes devem ser entregues a cada reunião. “Sem estas informações, não há como negociar. Responder a estas perguntas é atender ao que define a liminar”, afirmou Antônio Carlos Porto, advogado do Sindicato dos Jornalistas.
Segundo os advogados, o governo se prontificou a levantar informações, mas não se comprometeu a responder a todas as solicitações.

A frente jurídica vai pedir também que as reuniões sejam agrupadas por fundação. As mesas agendadas pelo governo estão divididas por sindicato.
Desta forma, a Fundação Piratini, por exemplo, tem duas reuniões marcadas para hoje: às 14h, com o sindicato dos jornalistas, e às 15h, com os representantes dos radialistas. A ideia dos advogados é fazer uma só reunião com todas as partes.
O Governo do Estado vai se manifestar ao longo do dia, através da Procuradoria Geral do Estado.
Advogada do Semapi e representantes da CUT foram barrados
A advogada que representa o Semapi, Roberta Possebon, foi impedida de entrar no prédio para participar da reunião. Roberta relata que chegou ao local às 9h02, para a reunião marcada para iniciar às 9h.
Ao se identificar no portão, foi avisada de que não poderia entrar pois o número de pessoas já havia atingido o limite. Ela afirma que não houve nenhuma combinação prévia limitando o número de participantes.
“Eu tentei argumentar que o advogado tem que estar onde está o seu cliente, que meu cliente estava lá em cima para uma negociação e que existe uma frente jurídica, da qual eu faço parte”, conta. Das dez reuniões agendada para quinta e sexta-feira, cinco envolvem diretamente o Semapi.
Impedida de acessar a reunião, a advogada ainda tentou entrar por outra portaria, mas novamente o acesso foi negado. Além de ter sido barrada, ela ficou incomodada com a abordagem do funcionário do CAFF, que, segundo ela, chegou a gritar. “Quem lida com pessoas em um prédio público tem que ser no mínimo educado e ele não foi.”
Às 10h03, quando a reunião já havia acabado, a advogada foi chamada pelo mesmo funcionário, que solicitou seu nome completo e informou que ela estava autorizada a subir.
Durante a coletiva, o secretário de comunicação da CUT, Ademir Wiederkehr, pediu a palavra para denunciar que também foi impedido de acessar o prédio. “Fomos barrados. A CUT, que coordena este frente, chamou uma entrevista coletiva, que foi noticiada em quase toda imprensa, e fomos impedidos de entrar para realizá-la”, afirmou Wiederkehr.
Sindicatos querem mais informações antes de discutir as demissões
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