Sociólogo demitido diz que Embrapa ainda vive no regime militar

A demissão do sociólogo Zander Navarro da Secretaria Geral da Embrapa está repercutindo nos meios políticos e acadêmicos
Ele foi demitido na última segunda-feira, 8, ao que tudo indica, pelo “delito de opinião”.
A causa teria sido um artigo publicado pelo jornal O Estado de São Paulo no dia 5, criticando a forma como vem sendo conduzida a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, a Embrapa, uma das instituições públicas mais respeitadas no pais.
Segundo ele, a Embrapa estaria se afastando das linhas iniciais que motivaram sua criação.
Zander é professor aposentado da UFRGS, professor em universidades inglesas, autor, junto com Fernando Henrique Cardoso e Gianetti da Fonseca do recente best-seller “Porque somos assim”?
Sumariamente despedido pelo “crime” de expor suas opiniões, ele se declarou chocado: seus e-mails foram todos cancelados, no dia seguinte, sem maiores explicações.
Zander trabalhava havia 6 anos nas Embrapa, onde entrou por concurso.
Octaciano Neto, secretário de Agricultura do Espírito Santo, e Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura de São Paulo, estão entre os que se manifestaram amplamente pró-Zander.
“Fiquei muito surpreso com essa demissão sumária. Imaginava uma suspensão, uma advertência. O direito de opinião, teoricamente, acho que eu tenho, né?”, disse Navarro ao jornal O Globo.
“A Embrapa se comporta internamente como se ainda estivéssemos no regime militar. Há uma concentração absurda de poder nas mãos do presidente. Ele impõe (as decisões) goela abaixo, inclusive dos outros diretores”, completa.
Por meio de nota, a Embrapa justificou a demissão do pesquisador afirmando que isso aconteceu “por decisão da Diretoria Executiva, por ignorar sistematicamente os códigos de ética e de conduta da empresa”.
 

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