STF autoriza investigação de deputados gaúchos

Cleber Dioni
Inquérito do MPF com quase três mil páginas indicou Germano, Padilha, Moreira, Alba e outras quatro pessoas
O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello autorizou no dia 1° de agosto o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul a investigar oito pessoas, entre elas deputados estaduais e federais gaúchos, prefeito e um secretário do governo estadual, ambos com foro privilegiado. Os motivos não foram divulgados.
O inquérito, de número 2.741, com 12 volumes e 2.895 páginas, está sob segredo de Justiça, mas a página eletrônica do STF lista os nomes que serão investigados: os deputados federais José Otávio Germano (PP) e Eliseu Padilha (PMDB), o deputado estadual e atual presidente da Assembléia Legislativa, Alceu Moreira (PMDB); o secretário estadual de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, Marco Alba; o prefeito de Sapucaia do Sul, Marcelo Machado, seu chefe de gabinete, Renan Presser; o secretário de Governo da Prefeitura Municipal de Canoas, Francisco de Oliveira Fraga (PTB), um dos réus na fraude do Detran; e o empresário Marco Antônio Camino.
No dia 15 de agosto, conforme o STF, o deputado José Otávio Germano pediu para ter acesso ao processo, o que lhe foi negado. Nem o MPF nem o ministro Marco Aurélio Mello, que passou a presidir o processo, informaram do que se trata o inquérito.
Ontem à tarde, diversas notícias correram pela internet levantando hipóteses sobre o conteúdo do processo. Falou-se em indícios de envolvimento na fraude do Detran, em desvios de recursos de obras públicas, em fraudes em licitações para compra de merenda escolar em escolas de Canoas, mas nada foi confirmado. Sabe-se que o inquérito foi coordenado pelo procurador Adriano Raud, que atua em Canoas e foi o responsável pelas investigações da fraude da merenda nesse município e também participou da Operação Rodin. O procurador não se manifestou.
O presidente do Parlamento gaúcho, Alceu Moreira, declarou ontem que não sabe do que se trata o inquérito, mas suspeita que seu nome possa ter constato em ligações telefônicas gravadas pela Polícia Federal na Operação Rodin, que apura o esquema criminoso milionário no Detran gaúcho. “O fato de estar num processo não significa que eu seja culpado de alguma coisa. Eu imagino que segunda ou terça-feira se tenha algum esclarecimento sobre isso”, afirmou. O parlamentar disse que vai se reunir na próxima semana com os líderes das bancadas e todos os deputados para discutir sua permanência na presidência do Legislativo. “A gente tem que ter a grandeza de perceber que a vida pessoal de alguém ou a própria vida política não pode manchar ou deixar em dúvida a imagem de qualquer instituição”, completou.
Já o deputado José Otávio Germano divulgou nota à imprensa onde afirmou que até o momento não obteve resposta da solicitação para ter acesso aos autos do processo, o me lhe impede de qualquer manifestação pública. “Respeito a manifestação do MPF de Canoas, contudo afirmo não possuir qualquer relação com este município. Destaco que sou o maior interessado em esclarecer qualquer fato em que meu nome tenha sido citado, procedimento que tenho adotado sempre que necessário, porém, como não tenho maior conhecimento sobre o assunto, não posso me manifestar.”
O deputado Marco Alba (PMDB), atual secretário do governo Yeda, e o deputado federal Eliseu Padilha também disseram desconhecer os motivos das investigações.

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