Geraldo Hasse
Começou com um clima festivo e terminou com aplausos do público a sessão de pré-estréia do filme Os Senhores da Guerra na sala 06 do Espaço Itaú do Bourbon Country em Porto Alegre. Pelo menos 200 pessoas acorreram ao convite para ver na noite de segunda-feira (12) o que provavelmente ficará na história do cinema gaúcho como o melhor filme do diretor Tabajara Ruas.
É um western que inicia nesta quinta (15) sua carreira em 18 cinemas do Rio Grande do Sul. Descontado o fato de que o herói morre no fim, é uma história com tudo para agradar o público brasileiro, que só vê cenas de combate em seriados da TV Globo ou em filmes estrangeiros. Bem a propósito, Os Senhores da Guerra tem pré-estréia nesta terça no Rio de Janeiro e quarta em Brasília.
Deixando momentaneamente de lado o herói general Netto, sua personagem favorita da saga farroupilha, o cineasta de Uruguaiana filmou uma síntese do romance do jornalista-historiador José Antonio Severo, responsável pelo resgate histórico da figura de Julio Rafael Bozano, afilhado político do poderoso Borges de Medeiros que teve uma meteórica carreira na primeira metade dos anos 1920, quando uma facção (liberal) do Rio Grande do Sul se revoltou contra o interminável mandonismo borgista.
Recém-formado em Direito, Bozano foi eleito prefeito de Santa Maria e tornou-se o mais jovem tenente-coronel da Brigada Militar após bater o maragato Zeca Neto no Passo das Carretas, no rio Camaquã. Belo e famoso, virou alvo de adversários de seu próprio Partido Republicano Riograndense: morreu aos 24 anos, vítima de uma emboscada quando se defrontavam chimangos, maragatos e integrantes da emergente coluna do capitão Luiz Carlos Prestes, no norte do Estado. Nem no livro nem no filme fica claro quem mandou matar Bozano, mas uma das hipóteses latentes é que teria sido uma armação de gente de São Borja.
Fora nuances feministas como a presença de personagens reais como Maria Clara Rocha (noiva do mocinho) e Cecilia de Assis Brasil (filha do líder civil da Revolução de 23), o novo filme de Tabajara Ruas focaliza essencialmente a luta pelo poder numa região em que caudilhos, coronéis, capitães, tenentes e peões se acostumaram a lutar a cavalo e de espada em punho – uma especialidade de Tabajara Ruas aprimorada em seus dois filmes anteriores, ambientados em meados do século XIX. Em Os Senhores da Guerra, o velho Taba dá um salto de quase 100 anos e põe em cena, com resultado estupendo, fuzis e metralhadoras giratórias, sem desprezar porém os sanguinolentos duelos de espada. Outra façanha da produção foi colocar em cena, com quatro vagões de passageiros, uma maria-fumaça. Quanto às cenas de cavalaria, consta que foi fundamental a ajuda da Brigada Militar.
“Quem levou esse filme nas costas foi a Ligia Walper, aqui ao meu lado”, reconheceu o diretor, nas boas-vindas ao público, recebido com pipoca e refri. Mulher de Tabajara, Ligia trabalhou como diretora de produção, coordenando, por cinco anos, uma equipe de dezenas de pessoas, entre elas o co-roteirista José Antonio Severo, que também operou como captador de recursos; o compositor Pirisca Grecco, responsável pela ótima trilha musical; e Omar Gomes, que organizou a narrativa em versos à moda do “poema campestre” Antonio Chimango, com que Ramiro Barcellos satirizou Antonio Augusto de Borges de Medeiros em 1915.

Deixe uma resposta