Templo positivista será recuperado

Clóvis Nery veio do Rio de Janeiro capitanear as obras de recuperação do prédio (Fotos Tânia Meinerz)

Guilherme Kolling

O engenheiro civil Clovis Augusto Nery, 64, secretário geral da delegação executiva da Igreja Positivista do Brasil veio do Rio de Janeiro passar esta semana em Porto Alegre. Seu objetivo: dar início à recuperação do templo positivista da cidade, situado na avenida João Pessoa, entre a José Bonifácio e a Venâncio Aires.

A iniciativa já teve resultados. O arquiteto George Augusto Moraes está organizando a Associação dos Amigos da Capela Positivista, entidade que requisitará o tombamento do casarão, além de buscar recursos para o restauro. A neta do construtor do edifício também está sendo contatada.

O templo é um dos únicos três do Brasil – os outros ficam no Rio de Janeiro, onde está a sede principal, e em Curitiba (PR). O casarão na capital gaúcha está abandonado, não há realização de cultos nem atividades dos seguidores da religião. Só funciona aos domingos, quando o caseiro, que vive numa edificação nos fundos do terreno, recebe os poucos visitantes que arriscam entrar.

O prédio foi construído na década de 1920 pelo então secretário de Agricultura, Borges Carlos Torres Gonçalves. Era o auge do positivismo no Estado, que tinha sua constituição baseada nessa doutrina e lideranças políticas que a seguiam, caso de Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos.

“O Rio Grande do Sul teve a constituição mais avançada do Ocidente até 1930”, avalia Nery. Ironicamente, Getúlio Vargas, que também norteou sua formação pelo positivismo acabou por extinguir as constituições estaduais, quando assumiu a presidência da República.

Mesmo com o enfraquecimento da doutrina positivista no Rio Grande do Sul, o templo se manteve todos esses anos. A capela e os prédios anexos pertencem todos à Igreja, que não pretende se desfazer dos imóveis. Pelo contrário, a idéia é fazer uma ampla reforma. “O Centro positivista é um marco cultural para o Rio Grande do Sul”, defende o secretário geral Clovis Nery.

Ele aponta a necessidade de reparos em todo o prédio de dois pavimentos, o que inclui pintura, substituição de telhado, além de reforço nas fundações. Hoje, o salão no andar de cima, destinado às prédicas – conferências religiosas sobre a obra positivista –, está repleto de cadeiras vazias.

“Pretendemos reativar esses encontros aqui em Porto Alegre. Nosso fim principal é religioso”, adianta Nery. As prédicas seriam feitas numa dia e horário específico – no Rio de Janeiro, sede principal da Igreja, ocorrem aos domingos, das 10h às 12h. Simpatizantes e curiosos podem freqüentar.

O casarão da João Pessoa também abriga no térreo um vasto acervo, que inclui centenas de livros, boa parte edições originais, em francês, de Augusto Conte, fundador do positivismo. A paredes estão repletas de bustos e quadros de seguidores ilustres, como Miguel Lemos e Teixeira Mendes – que fundaram a Igreja Positivista no Brasil em 1881. Mendes também é idealizador da bandeira do Brasil, que apresenta o lema positivista “Ordem e Progresso”.

Esta “fórmula sagrada” do positivismo, aliás, está estampada no alto da fachada do templo, em Porto Alegre: “O Amor por principio, a Ordem por base, o Progresso por fim”.

Associação vai buscar recursos par restauro

O arquiteto George Augusto Moraes já está em contato com a Secretaria de Estado da Cultura e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE). O objetivo é solicitar o tombamento do templo positivista.

Antes, ele está reunindo simpatizantes do positivismo e defensores do patrimônio cultural da cidade para formar a Associação dos Amigos da Capela Positivista. Quando a pessoa jurídica estiver criada, a idéia é montar um projeto para buscar recursos, através das leis de incentivo à cultura, para restaurar o prédio.

“É comum os donos serem contrários ao tombamento. Mas neste caso é o contrário. Eles são os maiores interessados na recuperação do imóvel”, observa o arquiteto, que já solicitou documentação do Rio de Janeiro, que irá integrar o dossiê a ser entregue aos técnicos do IPHAE.

Com o espaço recuperado, o passo seguinte é promover atividades no local, com ênfase na questão histórica. “O templo deverá abrir durante a semana para que os colégios possam fazer visitas guiadas. Os professores vão adorar ter essa oportunidade”, acredita.

No Rio de Janeiro, a igreja positivista, no bairro da Glória, já funciona como um centro religioso e cultural. “Podemos repetir isso aqui em Porto Alegre, com atividades culturais, apresentações musicais, visitas guiadas. Mas isso é para mais adiante. Hoje não temos estrutura nem recursos”, pondera o secretário geral da Igreja Positivista do Brasil, Clovis Nery. O primeiro passo será reativar as prédicas, o que pretendemos fazer ainda em 2006”, completa.

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